Na última quinta-feira, 28 de maio, o Centro de
Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ), por meio do setor de Informação,
Educação e Comunicação em Saúde (IEC), participou de uma formação promovida
pela equipe de obesidade do Instituto Desiderata. O encontro aconteceu
no auditório do Núcleo de Educação Permanente em Saúde, na região
central da cidade.
O objetivo da atividade foi oferecer subsídios informativos
para apoiar a identificação prática de alimentos ultraprocessados nas
escolas. A iniciativa surgiu diante da crescente presença desses produtos
nas cantinas escolares, das dúvidas relacionadas à rotulagem — especialmente em
produtos que aparentam ser “saudáveis”, mas confundem o consumidor — e da
necessidade de critérios claros para a fiscalização, fortalecendo o trabalho da
Vigilância Sanitária.
Durante a formação, agentes de educação em saúde do CCZ e
fiscais da Vigilância Sanitária tiveram acesso a conceitos sobre alimentação
saudável e participaram de atividades dinâmicas que apresentaram a classificação
NOVA dos alimentos, aprendendo a diferenciar alimentos in natura,
minimamente processados e ultraprocessados.
Além disso, os participantes puderam esclarecer dúvidas
sobre a Lei Municipal nº 3.766, de 05/01/2023, que trata da
regulamentação da alimentação nas escolas.
Vozes da formação
A agente do CCZ/IEC, Daniele Caviare, destacou a
reflexão trazida pelo encontro:
“O que a gente de fato está comendo? Falamos muito sobre
alimento de verdade e alimento de mentira, e isso traz à tona a tentativa de
reinserir alimentos saudáveis e retirar da nossa consciência coisas que
parecem, mas não são.”
O chefe do CCZ, Fabio Vilas Boas, elogiou a
iniciativa:
“Parabéns ao Desiderata pelo excelente trabalho! Foi uma
oportunidade incrível de conhecermos mais sobre ultraprocessados e alimentação
saudável. Agradecemos pela seriedade, dedicação e impacto positivo na formação
dos nossos agentes e fiscais, contribuindo diretamente para a promoção da saúde
pública e para a melhoria da qualidade de vida da população.”
Já o diretor do Departamento de Vigilância Sanitária e
Controle de Zoonoses de Niterói, Francisco de Faria Neto, ressaltou o
caráter inicial da ação:
“O evento foi bastante interessante. Houve um debate rico
entre palestrantes e participantes, e o saldo foi muito positivo. Essa foi
apenas a primeira etapa. Temos muito a avançar, mas começamos por um bom
caminho.”
Classificação NOVA
A classificação NOVA é um sistema que agrupa os alimentos
com base na extensão e no propósito do processamento industrial que sofrem
antes de chegar à mesa. Criada pelo Nupens -
USP, ela divide os alimentos em 4 grupos distintos
1. Alimentos In Natura ou Minimamente Processados
São alimentos obtidos diretamente de plantas ou animais, sem
sofrerem qualquer alteração após serem colhidos ou abatidos.
- In
natura: Frutas, legumes, verduras, ovos, leite e carnes frescas.
- Minimamente
processados: arroz, feijão, castanhas sem sal, leite pasteurizado.
2. Ingredientes Culinários Processados
São substâncias extraídas de alimentos do grupo 1 ou da
natureza, usadas para temperar e cozinhar. Não são consumidos sozinhos.
- Exemplos:
Sal de cozinha, açúcar de mesa, óleos vegetais, manteiga e banha.
3. Alimentos Processados
Fabricados essencialmente com a adição de sal, açúcar ou
óleo a um alimento in natura.
Eles passam por métodos de cozimento ou conservação para aumentar a
durabilidade.
- Exemplos:
Conservas de legumes, extrato de tomate, frutas em calda, queijos e pães
feitos apenas de farinha, água, sal e fermento.
4. Alimentos Ultraprocessados
Formulações industriais feitas com ingredientes derivados de
alimentos (óleos, gorduras, açúcares, amido) e aditivos químicos (corantes,
aromatizantes, conservantes). Geralmente são pobres em fibras e nutrientes, e o
seu consumo excessivo está associado a doenças crônicas.
- Exemplos:
Refrigerantes, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, salgadinhos de
pacote, salsicha e nuggets.
Instituto Desiderata
O Desiderata é um instituto fundado em 2003, para o
fortalecimento de políticas públicas de saúde para crianças e adolescentes.
Para isso, promove ações de mobilização e articulação entre
o setor público e a sociedade civil, formação de profissionais de saúde para o
diagnóstico precoce do câncer e prevenção da obesidade, desenvolve ações de
humanização do tratamento e produção e disseminação de conhecimento na área de
saúde infantojuvenil.
Desde sua origem, o Desiderata trabalha para mudar a realidade do câncer infantojuvenil no Rio de Janeiro. Em 2019, amplia a agenda, incluindo a obesidade infantojuvenil, que juntamente com o câncer, constituem graves ameaças à saúde de crianças e adolescentes no Brasil. (https://desiderata.org.br)
Fontes:
Instituto Desiderata: site e Instagram

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