terça-feira, 29 de junho de 2021

ESQUISTOSSOMOSE

 

O que é?

A esquistossomose é uma doença parasitária causada pelo Schistosoma mansoni. Inicialmente a doença é assintomática, mas pode evoluir e causar graves problemas de saúde crônicos, podendo haver internação ou levar à morte. No Brasil, a esquistossomose é conhecida popularmente como “xistose”, “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”.



A pessoa adquire a infecção quando entra em contato com água doce onde existam caramujos infectados pelos vermes causadores da esquistossomose. Os vermes, uma vez dentro do organismo da pessoa, vivem nas veias do mesentério e do fígado. A maioria dos ovos do parasita se prende nos tecidos do corpo humano e a reação do organismo a eles pode causar grandes danos à saúde.

O período de incubação, ou seja, tempo que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é de duas a seis semanas. 


Histórico 

A esquistossomose, xistose, barriga d'água ou doença do caramujo chegou ao Brasil, vinda da África, na época da escravidão. A doença chegou pelo Nordeste e encontrou todas as condições favoráveis à sua instalação: altas temperaturas, saneamento básico deficitário, população humana exposta, caramujos hospedeiros em abundância e grande quantidade de córregos, lagoas, represas e valas de irrigação. Todos esses fatores permitiram que a doença se manifestasse por muito tempo entre as pessoas que trabalhavam na agricultura, principalmente nos canaviais. Com o declínio da cultura de cana e abolição do regime de escravidão ocorreu forte migração para outras regiões do país. Assim, a doença foi se espalhando pelos estados ao longo do percurso.


Como a Esquistossomose é transmitida?

Para que haja transmissão é necessário um indivíduo infectado liberando ovos de Schistosoma mansoni por meio das fezes, a presença de caramujos de água doce e o contato da pessoa com essa água contaminada. Quando uma pessoa entra em contato com essa água contaminada, as larvas penetram na pele e ela adquire a infecção.

Alguns hábitos como nadar, tomar banho ou simplesmente lavar roupas e objetos na água infectada favorecem a transmissão. A esquistossomose está relacionada ao saneamento precário.


Fatores de risco

Qualquer pessoa, de qualquer faixa etária e sexo, pode ser infectada com o parasita da esquistossomose, mas as situações abaixo são grandes fatores de risco para se contrair a infecção.

Existência do caramujo transmissor.
Contato com a água contaminada.
Fazer tarefas domésticas em águas contaminadas, como lavar roupas.
Morar em comunidades rurais, especialmente populações agrícolas e de pesca.
Morar em região onde há falta de saneamento básico.
Morar em regiões onde não há água potável.


Sintomas

A maioria dos portadores são assintomáticos. No entanto, na fase aguda, o paciente infectado por esquistossomose pode apresentar diversos sintomas, como:
febre;
dor de cabeça;
calafrios;
suores;
fraqueza;
falta de apetite;
dor muscular;
tosse;
diarreia.

IMPORTANTE: Em alguns casos, o fígado e o baço podem inflamar e aumentar de tamanho.

Na forma crônica da doença, a diarreia se torna mais constante, alternando-se com prisão de ventre, e pode aparecer sangue nas fezes. Além disso, o paciente pode apresentar outros sinais, como:

tonturas;
sensação de plenitude gástrica;
prurido (coceira) anal;
palpitações;
impotência;
emagrecimento;
endurecimento e aumento do fígado.

Nos casos mais graves, o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento, fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d’água. 


Complicações possíveis

Se não tratada adequadamente, a esquistossomose pode evoluir e provocar algumas complicações, como, por exemplo:

aumento do fígado;
aumento do baço;
hemorragia digestiva;
hipertensão pulmonar e portal;
morte.


Diagnóstico

O diagnóstico da esquistossomose é feito por meio de exames laboratoriais de fezes. É possível detectar, por meio desses exames, os ovos do parasita causador da doença. 
O médico também pode solicitar teste de anticorpos para verificar sinais de infecção e para formas graves ultrassonografia.


Hospedeiros da esquistossomose

No ciclo da esquistossomose estão envolvidos dois hospedeiros:

Hospedeiro definitivo: o homem é o principal hospedeiro definitivo. Nele, o parasita desenvolve a forma adulta e reproduz-se sexuadamente. Os ovos são eliminados por meio das fezes no ambiente, ocasionando a contaminação das coleções hídricas naturais (córregos, riachos, lagoas) ou artificiais (valetas de irrigação, açudes e outros).
Hospedeiro intermediário: o ciclo biológico do S. mansoni depende da presença do hospedeiro intermediário no ambiente. Os caramujos gastrópodes aquáticos, pertencentes à família Planorbidae e gênero Biomphalaria, são os organismos que possibilitam a reprodução assexuada do helminto. No Brasil, as espécies Biomphalaria glabrata, Biomphalaria straminea e Biomphalaria tenagophila estão envolvidas na disseminação da esquistossomose. Há registros da distribuição geográfica das principais espécies em 24 estados, localizados, principalmente, nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.


Biomphalaria glabrata



Como ocorre a transmissão da esquistossomose?

A transmissão da esquistossomose ocorre quando o indivíduo infectado elimina os ovos do verme por meio das fezes humanas. Em contato com a água, os ovos eclodem e liberam larvas que infectam os caramujos, hospedeiros intermediários que vivem nas águas doces. Após quatro semanas, as larvas abandonam o caramujo na forma de cercarias e ficam livres nas águas naturais. O ser humano adquire a doença pelo contato com essas águas.


Destaca-se que a transmissão da esquistossomose não ocorre por meio do contato direto com o doente. Também não ocorre “autoinfecção”.


Prevenção

A prevenção da esquistossomose consiste em evitar o contato com águas onde existam os caramujos hospedeiros intermediários infectados. O controle da esquistossomose é baseado no tratamento coletivo de comunidades de risco, acesso a água potável e saneamento básico, educação em saúde e controle de caramujos em lagos e rios.

Grupos-alvo para o tratamento são:
Comunidades inteiras que vivem em áreas de alta contaminação.
Crianças em idade escolar nas áreas urbanas residentes em áreas endêmicas.
Pessoas com profissões que envolvem contato com a água contaminada, tais como pescadores, agricultores, trabalhadores de irrigação.
Pessoas que praticam tarefas domésticas que envolvem contato com água contaminada.

IMPORTANTE: Ainda não há vacina contra a esquistossomose.



Tratamento

O tratamento da esquistossomose, para os casos simples, é em dose única e supervisionado feito por meio do medicamento Praziquantel, receitado pelo médico e distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde.  Os casos graves geralmente requerem internação hospitalar e até mesmo tratamento cirúrgico, conforme cada situação.


Situação epidemiológica

No mundo 

A esquistossomose mansoni é uma doença de ocorrência tropical, registrada em 54 países, principalmente na África e Leste do Mediterrâneo, atinge as regiões do Delta do Nilo e países como Egito e Sudão.

Américas

Atinge a América do Sul, destacando-se a região do Caribe, Venezuela e Brasil.

Brasil

Estima-se que cerca de 1,5 milhões de pessoas vivem em áreas sob o risco de contrair a doença. Os estados das regiões Nordeste e Sudeste são os mais afetados sendo que a ocorrência está diretamente ligada à presença dos moluscos transmissores.

Atualmente, a doença é detectada em todas as regiões do país. As áreas endêmicas e focais abrangem os Estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte (faixa litorânea), Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais (predominantemente no Norte e Nordeste do Estado).
No Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, a transmissão é focal, não atingindo grandes áreas.


***

Fontes:





Imagens:

Fiocruz
Wikipedia


quinta-feira, 10 de junho de 2021

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segunda-feira, 7 de junho de 2021

DOENÇA DE CHAGAS

 

O QUE É DOENÇA DE CHAGAS?

A tripanossomíase americana, posteriormente denominada doença de Chagas em homenagem ao seu descobridor o pesquisador brasileiro Carlos Chagas, é uma importante doença parasitária resultante da infecção pelo protozoário parasito hemoflagelado Trypanosoma cruzi, tendo insetos triatomíneos como vetores. A Triatoma brasiliensis (“barbeiro”) é considerada hoje o vetor mais importante da doença no país.  As principais formas de transmissão da doença de Chagas ainda são as vetoriais (seja via lesão resultante da picada, seja por mucosa ocular ou oral), contudo apresentam também importância epidemiológica a transmissão transfusional e congênita.


Trypanosoma cruzi

SINTOMAS

A Doença de Chagas pode apresentar sintomas distintos nas duas fases que se apresenta, que são a aguda e a crônica. 

Na fase aguda, os principais sintomas são:

•  febre prolongada (mais de 7 dias);

•  dor de cabeça;

•  fraqueza intensa;

•  inchaço no rosto e pernas.

No caso de picada do barbeiro, pode aparecer uma lesão semelhante a um furúnculo no local.

Após a fase aguda, caso a pessoa não receba tratamento oportuno, ela desenvolve a fase crônica da doença, inicialmente sem sintomas (forma indeterminada), podendo, com o passar dos anos, apresentar complicações como:

•  problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca;

•  problemas digestivos, como megacolon e megaesôfago.

Cerca de 70% dos portadores permanece de duas a três décadas na chamada forma assintomática ou indeterminada da doença.


TRANSMISSÃO

As principais formas de transmissão da doença de chagas são:

•  Vetorial: a transmissão acontece pelas fezes do "barbeiro" depositadas sobre a pele da pessoa, enquanto o inseto suga o sangue. A picada provoca coceira, facilitando a entrada do tripanossomo no organismo, o que também pode ocorrer pela mucosa dos olhos, do nariz e da boca ou por feridas e cortes recentes na pele. 


Triatoma brasiliensis ("barbeiro")

•  Oral: ingestão de alimentos contaminados com parasitos provenientes de triatomíneos infectados.

•  Vertical: ocorre pela passagem de parasitos de mulheres infectadas por T. cruzi para seus bebês durante a gravidez ou o parto.

•  Transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados a receptores sadios.

•  Acidental: pelo contato da pele ferida ou de mucosas com material contaminado durante manipulação em laboratório ou na manipulação de caça.

O período de incubação da Doença de Chagas, ou seja, o tempo que os sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é dividido da seguinte forma:

•  Transmissão vetorial – de 4 a 15 dias.

•  Transmissão transfusional/transplante – de 30 a 40 dias ou mais.

•  Transmissão oral – de 3 a 22 dias.

•  Transmissão acidental – até, aproximadamente, 20 dias.


DIAGNÓSTICO

Na fase aguda da doença de Chagas, o diagnóstico se baseia na presença de febre prolongada (mais de 7 dias) e outros sinais e sintomas sugestivos da doença, como fraqueza intensa e inchaço no rosto e pernas, e na presença de fatores epidemiológicos compatíveis, como a ocorrência de surtos (identificação entre familiares/contatos).

Já na fase crônica, a suspeita diagnóstica é baseada nos achados clínicos e na história epidemiológica, porém ressalta-se que parte dos casos não apresenta sintomas, devendo ser considerados os seguintes contextos de risco e vulnerabilidade:

•  Ter residido, ou residir, em área com relato de presença de vetor transmissor (barbeiro) da doença de Chagas ou ainda com reservatórios animais (silvestres ou domésticos) com registro de infecção por T. cruzi;

•  Ter residido ou residir em habitação onde possa ter ocorrido o convívio com vetor transmissor (principalmente casas de estuque, taipa, sapê, pau-a-pique, madeira, entre outros modos de construção que permitam a colonização por triatomíneos);

•  Residir ou ser procedente de área com registro de transmissão ativa de T. cruzi ou com histórico epidemiológico sugestivo da ocorrência da transmissão da doença no passado;

•  Ter realizado transfusão de sangue ou hemocomponentes antes de 1992;

•  Ter familiares ou pessoas do convívio habitual ou rede social que tenham diagnóstico de doença de Chagas, em especial ser filho (a) de mãe com infecção comprovada por T. cruzi.


TRATAMENTO

O tratamento da doença de chagas deve ser indicado por um médico, após a confirmação da doença. O remédio, chamado benznidazol, deve ser utilizado em pessoas que tenham a doença aguda assim que ela for identificada. 

Para as pessoas na fase crônica, a indicação desse medicamento depende da forma clínica e deve ser avaliada caso a caso.

Em casos de intolerância ou que não respondam ao tratamento com benznidazol, o Ministério da Saúde disponibiliza o nifurtimox como alternativa de tratamento, conforme indicações estabelecidas em Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas.

Independente da indicação do tratamento com benznidazol ou nifurtimox, as pessoas na forma cardíaca e/ou digestiva devem ser acompanhadas e receberem o tratamento adequado para as complicações existentes.


PREVENÇÃO

A prevenção da doença de Chagas está intimamente relacionada à forma de transmissão.

Uma das formas de controle é evitar que o inseto “barbeiro” forme colônias dentro das residências, por meio da utilização de inseticidas residuais por equipe técnica habilitada.

Em áreas onde os insetos possam entrar nas casas voando pelas aberturas ou frestas, podem-se usar mosquiteiros ou telas metálicas.

Recomenda-se usar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, etc.) durante a realização de atividades noturnas (caçadas, pesca ou pernoite) em áreas de mata.

Quando o morador encontrar triatomíneos no domicílio:

•  Não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto;

•  Proteger a mão com luva ou saco plástico;

•  Os insetos deverão ser acondicionados em recipientes plásticos, com tampa de rosca para evitar a fuga, preferencialmente vivos;

•  Amostras coletadas em diferentes ambientes (quarto, sala, cozinha, anexo ou silvestre) deverão ser acondicionadas, separadamente, em frascos rotulados, com as seguintes informações: data e nome do responsável pela coleta, local de captura e endereço.

Em relação à transmissão oral, as principais medidas de prevenção são:

•  Intensificar ações de vigilância sanitária e inspeção, em todas as etapas da cadeia de produção de alimentos suscetíveis à contaminação, com especial atenção ao local de manipulação de alimentos.

•  Instalar a fonte de iluminação distante dos equipamentos de processamento do alimento para evitar a contaminação acidental por vetores atraídos pela luz.

•  Realizar ações de capacitação para manipuladores de alimentos e de profissionais de informação, educação e comunicação.

•  Resfriamento ou congelamento de alimentos não previne a transmissão oral por T. cruzi, mas sim o cozimento acima de 45°C, a pasteurização e a liofilização.


Fonte:

Ministério da Saúde  

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z-1/d/doenca-de-chagas

Fiocruz  

https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/doenca-de-chagas-sintomas-transmissao-e-prevencao

http://chagas.fiocruz.br/sessao/historia/


Fonte das imagens:  Fiocruz


quarta-feira, 26 de maio de 2021

HANTAVIROSE

O que é hantavirose?

A Hantavirose é uma zoonose viral aguda cuja infecção em humanos pode se manifestar sob variadas formas, desde uma síndrome febril até quadros mais característicos, como febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), que ocorre no território eurasiático, e a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH), presente no continente americano.



No Brasil, se apresenta na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Na América do Sul, foi observado importante comprometimento cardíaco, passando a ser denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Os hantavírus possuem como reservatórios naturais alguns roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer. A hantavirose é causada por um vírus RNA, pertencente à família Bunyaviridae, gênero Hantavirus.

Nas Américas, a hantavirose se manifesta sob diferentes formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).

A SCPH foi identificada pela primeira vez, nas Américas, nos Estados Unidos da América (EUA), em 1993. No mesmo ano, no Município de Juquitiba, interior de São Paulo, um surto da doença acometeu três pessoas de uma mesma família, com taxa de letalidade de 67,0%.


Sintomas

Na fase inicial, a Hantavirose causa os seguintes sintomas:

•  febre;

•  dor nas articulações;

•  dor de cabeça;

•  dor lombar;

•  dor abdominal;

•  sintomas gastrointestinais.


Na fase cardiopulmonar, os sintomas da hantavirose são:

•  febre;

•  dificuldade de respirar;

•  respiração acelerada;

•  aceleração dos batimentos cardíacos;

•  tosse seca;

•  “pressão baixa”.

IMPORTANTE: Nessa fase, também é possível surgir edema pulmonar não cardiogênico, com o paciente evoluindo para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.


Transmissão

A infecção humana por hantavirose ocorre mais frequentemente pela inalação de aerossóis, formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. As outras formas de transmissão, para a espécie humana, são:

•  percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;

•  contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;

•  transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.

O período de transmissibilidade do hantavírus no homem é desconhecido. Estudos sugerem que o período de maior viremia seria alguns dias que antecedem o aparecimento dos sinais/sintomas. Já o período de incubação do vírus, ou seja, o período que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de 1 a 5 semanas, com variação de 3 a 60 dias.


Reservatórios

Os hantavírus, em particular, são transmitidos especificamente por roedores silvestres da ordem Rodentia, família Muridae e Cricetidae. As subfamílias Arvicolinae e Murinae detêm os principais reservatórios primários da FHSR, enquanto que os da subfamília Sigmodontinae, da família Cricetidae, são os roedores envolvidos com a SCPH. 

Oligoryzomys microtis

Cada vírus, geralmente, está associado somente a uma espécie específica de roedor hospedeiro. Nesses animais a infecção pelo hantavírus aparentemente não é letal e pode levá-los ao estado de reservatório por longos períodos, provavelmente por toda a vida. No entanto, outras espécies de roedores pertencentes a outras subfamílias podem se infectar, sem se constituírem em reservatórios importantes para a transmissão do hantavírus.

Principais hantavírus, distribuição geográfica, reservatórios e patogenia no Brasil:

Vírus

Distribuição

Reservatório

Enfermidade Humana

Araraquara

São Paulo

Necromys lasiurus

SCPH

Castelo dos Sonhos

Pará

Oligoryzomys utiaritensis

SCPH

Juquitiba

São Paulo

Oligoryzomys nigripes

SCPH

Anajatuba

Maranhão

Oligoryzomys fornesis

Desconhecida

Rio Mearim

Maranhão

Holochilus sciurus

Desconhecida

Laguna Negra

Porto Alegre

Calomys aff. callosus

SCPH

Jaborá

Santa Catarina

Akodon montensis

Desconhecida

Rio Mamoré

Amazonas

Oligoryzomys microtis

Desconhecida

Fontes: (BONVICINO, 2008; TRAVASSOS, 2008; OLIVEIRA, 2007; ELKHORY; WADA et al., 2005; ENRIA, 2003; 
LEVIS, 2004)
Obs.: Febre Hemorrágica com Síndrome Renal – FHRS e Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus – SCPH

Na região Nordeste, tanto no caso do Rio Grande do Norte quanto no da Bahia, não aconteceu a investigação ecoepidemiológica, de forma que os reservatórios são até o momento desconhecidos. No Maranhão, foram identificados dois tipos específicos de hantavírus, associados a dois diferentes reservatórios: Holochilus siureus e Oligoryzomys fornesi.  Foi detectada na região do médio norte do estado do Mato Grosso a circulação do hantavírus Laguna Negra, variante essa que está associada ao roedor Calomys aff. Callosus e ao reservatório da variante Castelo dos Sonhos, roedores da espécie Oligoryzomys utiaritensis. 

A variante Castelo dos Sonhos foi identificada inicialmente em paciente proveniente do estado do Pará e é a responsável pela ocorrência de casos de hantavirose neste estado. 

Os diversos hantavírus conhecidos até o momento seguem a distribuição geográfica dos seus respectivos reservatórios. A casuística dos casos e a distribuição geográfica dos roedores positivos delineiam para o Brasil uma rota de ocorrência de casos de SCPH, provavelmente causados por diferentes hantavírus e associados a espécies de roedores reservatórios distintos.


Fatores ambientais

Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homens e roedores silvestres.

Situações de risco para infecção por hantavírus:

•  Limpeza de locais fechados, contaminados;
•  Atividades de lazer em locais rurais ou silvestres (ecoturismo);
•  Atividades ocupacionais realizadas em área rural ou silvestre (aragem, plantio ou colheita em campo, treinamento militar a campo, pesquisas cientificas);
• Fatores ambientais que provoquem o deslocamento de roedores para as residências ou arredores (queimadas, enchentes, alagamentos);
• Mudança no perfil agrícola ou outros fenômenos naturais periódicos que alterem a disponibilidade de alimentos para os roedores (floração das taquaras).


Diagnóstico

Atualmente, os exames laboratoriais para diagnóstico específico da hantavirose são realizados em laboratórios de referência. Os exames estão disponíveis na rede pública de laboratórios para confirmação ou descarte dos casos.

O diagnóstico é feito, basicamente, por meio da sorologia. O Ministério da Saúde disponibiliza os kits necessários para testes sorológicos. 

ELISA-IgM –cerca de 95% dos pacientes com SCPH têm IgM detectável em amostra de soro coletada no início dos sintomas, sendo, portanto, método efetivo para o diagnóstico de hantanvirose.  Imunohistoquímica – técnica que identifica antígenos específicos para hantavírus em fragmentos de órgãos. Particularmente utilizada para o diagnóstico nos casos de óbitos, quando não foi possível a realização do diagnóstico sorológico in vivo.

RT-PCR – método de diagnóstico molecular, útil para identificar o vírus e seu genótipo, sendo considerado exame complementar para fins de pesquisa. Observe-se que quando o óbito é recente possibilita a realização de exame sorológico (ELISA IgM), mediante coleta de sangue do coração ou mesmo da veia.
A coleta de amostra deve ser feita logo após a suspeita do diagnóstico, pois o aparecimento de anticorpos da classe IgM ocorre concomitante ao início dos sintomas e permanecem na circulação até cerca de 60 dias, após o início dos sintomas. Quando em amostra única não for possível definir o diagnóstico, deve-se repetir a coleta e realizar uma segunda sorologia somente nas situações em que o paciente apresentar manifestações clínicas fortemente compatíveis com a SCPH e se a primeira amostra foi coletada nos primeiros dias da doença.

A técnica ELISA-IgG, ainda que disponível na rede pública, é utilizada apenas em estudos epidemiológicos, para detectar infecção viral anterior, em roedores ou em seres humanos.


Tratamento

Não existe um tratamento específico para as infecções por hantavírus. As medidas terapêuticas são fundamentalmente as de suporte, ministradas conforme cada caso por um médico profissional.


Prevenção

A prevenção da hantavirose baseia-se na utilização de medidas que impeçam o contato do homem com os roedores silvestres e suas excretas (resíduos eliminados do organismo).

As medidas de controle devem conter ações que impeçam a aproximação dos roedores, como, por exemplo, roçar o terreno em volta da casa, dar destino adequado aos entulhos existentes, manter alimentos estocados em recipientes fechados e à prova de roedores, além de outras medidas que impeçam a interação entre o homem e roedores silvestres, nos locais onde é conhecida a presença desses animais.


Situação epidemiológica da hantavirose no Brasil

Em algumas regiões do Brasil, observa-se um padrão de sazonalidade, possivelmente decorrente da biologia/comportamento dos roedores reservatórios.
Apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram maior percentual de casos confirmados. A presença da SCPH até o momento é relatada em 16 Unidades da Federação: Pará, Rondônia, Amazonas, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

As infecções ocorrem principalmente em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo o sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido. A taxa de letalidade média é de 46,5% e a maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar.


***

Fontes:

Ministério da Saúde   
•  Manual de Vigilância, Prevenção e Controle das Hantaviroses. (2013)

Avaliação do Sistema de Vigilância de Hantavírus no Brasil  


Fontes das imagens:

Guia dos Roedores do Brasil, com chaves para gêneros baseadas em caracteres externos /C. R. Bonvicino, J. A. Oliveira, P. S. D’Andrea. - Rio de Janeiro: Centro Pan-Americano de Febre Aftosa - OPAS/OMS, 2008.




terça-feira, 18 de maio de 2021

MALÁRIA


O que é?

A malária é uma doença infecciosa, febril, potencialmente grave, causada pelo parasita do gênero Plasmodium, transmitido ao homem, na maioria das vezes pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados. No entanto, também pode ser transmitida pelo compartilhamento de seringas, transfusão de sangue ou até mesmo da mãe para feto, na gravidez.

Ela pode ser provocada por quatro protozoários do gênero Plasmodium: Plasmodium vivax, P. falciparum, P. malariae e P. ovale. No Brasil, somente os três primeiros estão presentes, sendo o P. vivax e o P. falciparum as espécies predominantes.

O termo malária surgiu na Itália no século XVII, onde a morte de pessoas com febre intermitente ou romana foi atribuída ao mau ar (mal'aria) das zonas dos pântanos e brejos. Existem vários relatos na história sobre a ocorrência dessas febres, como, por exemplo, referências em escritos chineses e hindus, evidências arqueológicas, descrições em papiros, assim como inscrições nas paredes dos templos egípcios. Hipócrates, no século V a.C., foi o primeiro a descrever as manifestações clínicas da malária, inclusive observando a esplenomegalia e relacionando seu aparecimento às estações do ano ou aos locais onde o paciente vivia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a malária como um dos maiores problemas de saúde pública em muitos países, particularmente naqueles em desenvolvimento.

No caso particular do Brasil, a malária encontra-se concentrada na Região Amazônica, que possui as características ideais para transmissão da doença, produzindo a quase totalidade dos casos do país (98-99%). As demais regiões brasileiras sofrem influência direta da Amazônia Legal, por meio do fluxo de casos, tendo os maiores números sido observados em Goiás, seguindo-se Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, estados que receberam a maior proporção de casos originários do Norte do país.


Agente Etiológico

Os parasitos da malária estão alocados no filo Protozoa, classe Sporozoea, ordem Eucoccidiida, família Plasmodiidae, gênero Plasmodium.

Existem mais de 100 espécies de plasmódios, incluindo 22 parasitas de primatas não humanos,19 de roedores, morcegos e outros mamíferos, e em torno de 70 outras espécies em aves e répteis

São quatro as espécies reconhecidas de plasmódios que infectam naturalmente o homem:  Plasmodium (Plasmodium) malariae( Laveran, 1881); Plasmodium (Plasmodium) vivax (Grassi e Feletti, 1890); Plasmodium (Laverania) falcipaarum (Welch,1897); e, finalmente, Plasmodium (Plasmodium) ovale (Stephens, 1922).

O P. malariae, responsável pela febre quartã (acessos febris a cada 72 horas), é encontrado na África, Índia, Sudeste da Ásia, Nova Guiné, e apresenta focos espalhados na América do Sul. O P. vivax, causador da terçã benigna (acessos febris a cada 48 horas), é importante nas regiões subtropicais, inclusive no Brasil, onde se encontram cerca de 70% dos casos. O P. falciparum, agente da terçã maligna (acessos febris a cada 48 horas), causa a forma mais grave da doença e é mais comum nas regiões tropicais. O P. ovale (acessos febris a cada 48 horas) é o menos comum, sendo encontrado somente na África, Nova Guiné e Filipinas, não existindo relatos de sua presença no Brasil.


Em uma das fases do ciclo de vida do Plasmodium,
observa-se a infeccção de células sanguíneas.


Vetores

Os mosquitos transmissores da malária pertencem ao filo Artropoda, classe lnsecta, ordem Diptera, família Culicidae, gênero Anopheles.

Anopheles darlingi

Os mosquitos fêmeas Anopheles põem seus ovos na água. Após a eclosão dos ovos, as larvas se desenvolvem até o estágio de mosquito adulto. Os mosquitos fêmeas procuram se alimentar de sangue para nutrir seus ovos. Cada espécie mostra preferências em relação ao seu habitat aquático; por exemplo, alguns preferem acumulações de água doce na superfície, como poças e pegadas de cascos, que são encontradas em abundância durante a estação chuvosa em países tropicais.

Existem aproximadamente 400 espécies de anofelinos, mas somente cerca de 60 são vetores da malária em condições naturais, 30 das quais têm maior importância. Os principais vetores, no Brasil, pertencem a dois subgêneros: Nyssorhincus e Kerteszia.

Assume maior importância o A.(N.) darlingi, responsável pelos casos do interior em uma grande área do território nacional. Seus criadouros têm como característica águas quentes e limpas, de baixo fluxo e sombreadas. Distribuem-se da região Norte até o norte do Paraná. O A. (N.) aquasalis, predominante no litoral, desde o Amapá até o norte de São Paulo, prefere como criadouros águas salobras. Existem alguns de menor importância, ditos vetores secundários, como o A.(N.) albitarsis, observado tanto no interior quanto no litoral.

O A.(K.) cruzi e o A.(K.) bellator distribuem-se pelo litoral, do sul de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul. Os anofelinos do subgênero Kerteszia têm preferência pelas águas acumuladas nas folhas da bromélias, abundantes na vegetação litorânea desses estados.


Transmissão

A transmissão natural da doença se dá pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados com o Plasmodium. Após a picada, os parasitos chegam rapidamente ao fígado onde se multiplicam de forma intensa e veloz. Em seguida, já na corrente sangüínea, invadem os glóbulos vermelhos e, em constante multiplicação, começam a destruí-los. A partir desse momento, aparecem os primeiros sintomas da doença.

A doença também pode ser adquirida por meio do contato direto com o sangue de uma pessoa infectada (como por exemplo, em transfusões sangüíneas ou transplante de órgãos ou ainda pelo compartilhamento de seringas entre usuários de drogas injetáveis).




Sintomas

O período de incubação é o tempo transcorrido entre a picada do mosquito infectado e o aparecimento dos primeiros sintomas. Ele pode variar de 8 a 30 dias ou até mais, dependendo da espécie de Plasmodium, da carga parasitária injetada pelo mosquito no momento da picada e do sistema de defesa do paciente. Durante esse período, que corresponde à fase em que o Plasmodium está se reproduzindo no fígado do indivíduo, não há sintomas.

A principal manifestação clínica da malária em sua fase inicial é a febre, associada ou não a calafrios, tremores, suores intensos, dor de cabeça e dores no corpo. A febre na malária corresponde ao momento em que as hemácias estão se rompendo. A pessoa que contraiu a doença pode ter também, dentre outros sintomas, vômitos, diarreia, dor abdominal, falta de apetite, tonteira e sensação de cansaço.


Quais são as complicações da malária?

A malária grave caracteriza-se por um ou mais desses sinais e sintomas:

prostração;

alteração da consciência;

dispnéia ou hiperventilação;

convulsões;

hipotensão arterial ou choque;

hemorragias;

Entre outros.

As gestantes, as crianças e as pessoas infectadas pela primeira vez estão sujeitas a maior gravidade da doença, principalmente por infecções pelo P. falciparum, que, se não tratadas adequadamente e em tempo hábil, podem ser letais.


Diagnóstico

O método oficialmente adotado no Brasil para o diagnóstico da malária é o Gota Espessa. Mesmo após o avanço de técnicas diagnósticas, este exame continua sendo um método simples, eficaz, de baixo custo e de fácil realização. Quando executado adequadamente, é considerado padrão-ouro pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Sua técnica baseia-se na visualização do parasito por meio de microscopia óptica, após coloração com corante vital (azul de metileno e Giemsa), permitindo a diferenciação específica dos parasitos, a partir da análise da sua morfologia, e dos seus estágios de desenvolvimento encontrados no sangue periférico. A determinação da densidade parasitária, útil para a avaliação prognóstica, deve ser realizada em todo paciente com malária, especialmente nos portadores de P. falciparum. Por meio desta técnica é possível detectar outros hemoparasitos, tais como Trypanosoma sp. e microfilárias.


Prevenção

As medidas de proteção individual são as formas mais efetivas de prevenção, considerando-se que ainda não existe uma vacina disponível contra a malária. Essas medidas têm como objetivo principal impedir ou reduzir a possibilidade do contato homem-mosquito transmissor.

Em áreas de transmissão é considerado comportamento de risco frequentar locais próximos a criadouros naturais de mosquitos, como beira de rio ou áreas alagadas no final da tarde até o amanhecer, pois nesses horários há um maior número de mosquitos transmissores de malária circulando.

É importante também diminuir ao mínimo possível a extensão das áreas descobertas do corpo com o uso de calças e camisas de mangas compridas. Além disso, as partes descobertas do corpo devem estar sempre protegidas por repelentes que também devem ser aplicados sobre as roupas.

Outra medida importante de proteção individual é o uso de: repelentes, cortinados e mosquiteiros impregnados com inseticidas (à base de piretróides) sobre a cama ou rede, telas em portas e janelas e inseticida no ambiente onde se dorme. Esses cuidados não só protegem contra a picada dos mosquitos transmissores da malária, mas também contra a picada de outros insetos transmissores de outras doenças.

Medidas coletivas incluem drenagem de coleções de água, pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor, aterro, limpeza das margens dos criadouros, modificação do fluxo da água, controle da vegetação aquática, melhoramento da moradia e das condições de trabalho, uso racional da terra.


Tratamento

Após a confirmação da malária, o paciente recebe o tratamento em regime ambulatorial, com comprimidos que são fornecidos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Somente os casos graves deverão ser hospitalizados de imediato.

O tratamento indicado depende de alguns fatores, como a espécie do protozoário infectante; a idade e o peso do paciente; condições associadas, tais como gravidez e outros problemas de saúde; além da gravidade da doença.

Quando realizado de maneira correta e em tempo oportuno, o tratamento garante a cura da doença.

***


Fontes:

Organização Mundial da Saúde

https://www.who.int/es/news-room/fact-sheets/detail/malaria

Fiocruz  

http://www.fiocruz.br/ioc/media/malaria%20folder.pdf

https://portal.fiocruz.br/taxonomia-geral-7-doencas-relacionadas/malaria

Ministério da Saúde 

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z-1/m/malaria

Doenças Infecciosas na Infância e Adolescência. MEDSI -Editora Médica e Científica Ltda.- 2ª edição, 2000.

https://patua.iec.gov.br/bitstream/handle/iec/255/Mal%C3%A1ria%20%EF%BB%BF.pdf?sequence=1&isAllowed=y


Fonte das imagens:

Instituto de Ciências Biomédicas da USP

Brasil Escola /UOL

Tua Saúde


sexta-feira, 14 de maio de 2021

Nota sobre os "mosquitos pretos"

 




Após análise de amostras encaminhadas ao CCZ, o Laboratório de Zoonoses classificou o inseto como sendo um Díptero da família dos siarídeos.

Esses "mosquitos pretos" se alimentam estritamente de vegetais (fluidos vegetais,  seiva vegetal, fungos), não tendo importância médica pois não são picadores  e não transmitem nenhum patógeno tanto para o  homem quanto para os animais. 

Nas cidades os insetos são atraídos pelas luzes das residências e ficam desorientados.  O único inconveniente é que, devido à quantidade, os insetos mortos acabam sujando o ambiente.

Esse boom populacional pode estar relacionado a algum desequilíbrio ambiental associado à estação do ano.

O uso de inseticidas não é recomendado pois não existe risco de transmissão de doenças.

https://drive.google.com/file/d/1XSqJ7mhFkolKd6xO0TAxUSYCA9hMnW0d/view?usp=sharing



Imagem:  Wikipédia

sexta-feira, 7 de maio de 2021

CCZ realiza ação educativa para professores da UMEI Eduardo Campos

 


Nesta quinta-feira (06/05), o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC), realizou ação educativa (roda de conversa) para os professores da Unidade Municipal de Educação Infantil Governador Eduardo Campos, em Matapaca, que irão retornar para as aulas presenciais a partir da próxima segunda-feira (10/05).

A atividade foi solicitada pela diretora Simone Peres e teve como objetivo principal apontar possíveis caminhos para a retomada gradual do funcionamento das atividades presenciais da UMEI.

A Secretaria Municipal de Educação elaborou o documento "Diretrizes para a Construção dos Planos Locais de Retorno as Atividades Presenciais da Educação Municipal de Niterói". A partir desse material, o IEC, representado pela agente Patrícia de Oliveira, orientou sobre o Protocolo de Segurança em Tempos de Convivência com a COVID 19.

O protocolo descreve que cada escola será responsável por limitar os alunos em sala – tendo a capacidade de até 50% das turmas ocupadas –, e que o retorno foi orientado pela situação epidemiológica do município e se dará com cuidados especiais para a proteção de todos, crianças e profissionais, no sentido de reduzir riscos.

A proposta do encontro foi compartilhar cuidados e dividir saberes, articular possibilidades de trabalho, respeitando o direito da criança. O propósito central é preservar vidas e garantir a segurança de todos envolvidos, cuidando uns dos outros em meio a essa pandemia.

As medidas visam diminuir a circulação do vírus, por meio do:

  • Uso obrigatório de máscaras face shield para professores e funcionários;
  • Aferição de temperatura; 
  • Tapete sanitizante e lixeira de pedal;
  • Distanciamento físico entre as pessoas e restrição do número de pessoas circulando na UMEI;
  • Reorganização dos espaços e sinalização clara;
  • Uso obrigatório de máscaras (crianças e profissionais);
  • Distribuição de saquinhos para máscara usada no momento do lanche; 
  • Reforço de procedimento de higienização pessoal e dos ambientes; 
  • Identificação precoce e isolamento de portadores da infecção, vigilância ativa;
  • Orientação para correta higienização das mãos, uso do álcool gel e forma correta da utilização da máscara e retirada.

As aulas presenciais terão duração reduzida; os alunos poderão ir diariamente. Serão divididos em dois grupos: manhã e tarde, 3 horas de duração respectivamente.

O IEC esclareceu a importância da prática dos muitos cuidados que exigirá o esforço individual e coletivo, como, por exemplo, a higienização correta das mãos de crianças e adultos em vários momentos do dia, em especial na chegada à UMEI, antes do início das atividades diárias.

“Divulgamos também o calendário vacinal e os locais de vacinação para COVID 19 e influenza. Enfatizamos a importância da vacinação e reforçamos que o distanciamento social e o uso de máscara de forma correta como uma das principais medidas não farmacológicas capaz de reduzir e encurtar a pandemia. Vale ressaltar que os estudos científicos têm sido dinâmicos, com atualizações quase diárias. Na roda de conversa, após uma rica discussão, concluímos que a preservação da vida sempre será em primeiro lugar, retorno seguro e saudável”, destacou Patrícia.