terça-feira, 2 de junho de 2026

Formação sobre Alimentação Saudável e Ultraprocessados reúne Vigilância Sanitária em Niterói


Na última quinta-feira, 28 de maio, o Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ), por meio do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC), participou de uma formação promovida pela equipe de obesidade do Instituto Desiderata. O encontro aconteceu no auditório do Núcleo de Educação Permanente em Saúde, na região central da cidade.

O objetivo da atividade foi oferecer subsídios informativos para apoiar a identificação prática de alimentos ultraprocessados nas escolas. A iniciativa surgiu diante da crescente presença desses produtos nas cantinas escolares, das dúvidas relacionadas à rotulagem — especialmente em produtos que aparentam ser “saudáveis”, mas confundem o consumidor — e da necessidade de critérios claros para a fiscalização, fortalecendo o trabalho da Vigilância Sanitária.

Durante a formação, agentes de educação em saúde do CCZ e fiscais da Vigilância Sanitária tiveram acesso a conceitos sobre alimentação saudável e participaram de atividades dinâmicas que apresentaram a classificação NOVA dos alimentos, aprendendo a diferenciar alimentos in natura, minimamente processados e ultraprocessados.

Além disso, os participantes puderam esclarecer dúvidas sobre a Lei Municipal nº 3.766, de 05/01/2023, que trata da regulamentação da alimentação nas escolas.

 

Vozes da formação

A agente do CCZ/IEC, Daniele Caviare, destacou a reflexão trazida pelo encontro:

“O que a gente de fato está comendo? Falamos muito sobre alimento de verdade e alimento de mentira, e isso traz à tona a tentativa de reinserir alimentos saudáveis e retirar da nossa consciência coisas que parecem, mas não são.”

O chefe do CCZ, Fabio Vilas Boas, elogiou a iniciativa:

“Parabéns ao Desiderata pelo excelente trabalho! Foi uma oportunidade incrível de conhecermos mais sobre ultraprocessados e alimentação saudável. Agradecemos pela seriedade, dedicação e impacto positivo na formação dos nossos agentes e fiscais, contribuindo diretamente para a promoção da saúde pública e para a melhoria da qualidade de vida da população.”

Já o diretor do Departamento de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses de Niterói, Francisco de Faria Neto, ressaltou o caráter inicial da ação:

“O evento foi bastante interessante. Houve um debate rico entre palestrantes e participantes, e o saldo foi muito positivo. Essa foi apenas a primeira etapa. Temos muito a avançar, mas começamos por um bom caminho.”

 

Classificação NOVA

A classificação NOVA é um sistema que agrupa os alimentos com base na extensão e no propósito do processamento industrial que sofrem antes de chegar à mesa. Criada pelo Nupens - USP, ela divide os alimentos em 4 grupos distintos

1. Alimentos In Natura ou Minimamente Processados

São alimentos obtidos diretamente de plantas ou animais, sem sofrerem qualquer alteração após serem colhidos ou abatidos.

  • In natura: Frutas, legumes, verduras, ovos, leite e carnes frescas.
  • Minimamente processados: arroz, feijão, castanhas sem sal, leite pasteurizado.

2. Ingredientes Culinários Processados

São substâncias extraídas de alimentos do grupo 1 ou da natureza, usadas para temperar e cozinhar. Não são consumidos sozinhos.

  • Exemplos: Sal de cozinha, açúcar de mesa, óleos vegetais, manteiga e banha.

3. Alimentos Processados

Fabricados essencialmente com a adição de sal, açúcar ou óleo a um alimento in natura.  Eles passam por métodos de cozimento ou conservação para aumentar a durabilidade.

  • Exemplos: Conservas de legumes, extrato de tomate, frutas em calda, queijos e pães feitos apenas de farinha, água, sal e fermento.

4. Alimentos Ultraprocessados

Formulações industriais feitas com ingredientes derivados de alimentos (óleos, gorduras, açúcares, amido) e aditivos químicos (corantes, aromatizantes, conservantes). Geralmente são pobres em fibras e nutrientes, e o seu consumo excessivo está associado a doenças crônicas.

  • Exemplos: Refrigerantes, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, salsicha e nuggets.

 

Instituto Desiderata

O Desiderata é um instituto fundado em 2003, para o fortalecimento de políticas públicas de saúde para crianças e adolescentes.

Para isso, promove ações de mobilização e articulação entre o setor público e a sociedade civil, formação de profissionais de saúde para o diagnóstico precoce do câncer e prevenção da obesidade, desenvolve ações de humanização do tratamento e produção e disseminação de conhecimento na área de saúde infantojuvenil.

Desde sua origem, o Desiderata trabalha para mudar a realidade do câncer infantojuvenil no Rio de Janeiro. Em 2019, amplia a agenda, incluindo a obesidade infantojuvenil, que juntamente com o câncer, constituem graves ameaças à saúde de crianças e adolescentes no Brasil. (https://desiderata.org.br)











Fontes:

Instituto Desiderata:  site e Instagram

Nupens - USP



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