quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Arboviroses e roedores são temas de palestra promovida pelo CCZ na Policlínica do Largo da Batalha




Nesta segunda-feira (07/01) o Centro de Controle de Zoonoses – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – realizou palestra sobre arboviroses e roedores na Policlínica Regional do Largo da Batalha. 

A ação educativa em saúde foi desenvolvida pela agente Patrícia de Oliveira por meio de bate papo interativo, e abordou os seguintes tópicos:  arboviroses – sintomas, a importância da vacinação contra a febre amarela, a desmistificação da questão equivocada da relação dos macacos com a transmissão direta da febre amarela em humanos, características dos mosquitos transmissores, principais medidas de prevenção e combate aos possíveis criadouros do vetor comum (Aedes aegypti); roedores – espécies de roedores urbanos, problemas causados por esses vetores, a leptospirose, e prevenção.

O objetivo foi alertar os integrantes do grupo de hiperdia, coordenado pela assistente social Teresita Medina, acerca dos perigos à saúde causados pelas arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) e sensibilizá-los quanto à importância da adoção de medidas preventivas contra os roedores urbanos no ambiente domiciliar e de convívio. 

“Diante do aumento da infestação de roedores no mundo, como já comprovado em algumas pesquisas, por conta do destino incorreto do lixo urbano, e a possibilidade de uma grande epidemia da Chikungunya neste verão, apresentei essas informações e reforcei a importância da prevenção na diminuição considerável de infestação de mosquitos e ratos”, destacou Patrícia.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Identificado mais um barbeiro que pode transmitir doença de Chagas


Barbeiros da espécie “Rhodnius montenegrensis” infectados com “Trypanosoma cruzi” foram encontrados em Monte Negro, Rondônia


A descoberta é importante porque trata-se de uma nova espécie onde o T. cruzi foi encontrado e
ela apresenta potencial para transmissão da doença – Foto: Adriana Benatti Bilheiro


Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP identificaram, pela primeira vez, o protozoário causador da doença de Chagas (Trypanosoma cruzi) em barbeiros da espécie Rhodnius montenegrensis, coletados na cidade de Monte Negro, em Rondônia. Os cientistas também encontraram barbeiros infectados com o Trypanosoma rangeli, que não causa a doença, mas que pode confundir o diagnóstico.

A descoberta gerou o artigo First Report of Natural Infection with Trypanosoma cruzi in Rhodnius montenegrensis (Hemiptera, Reduviidae, Triatominae) in Western Amazon, Brazil, publicado em julho na revista Vector-Borne and Zoonotic Diseases.

Estudos com a população moradora dos locais próximos onde os barbeiros foram encontrados indicam inexistência de transmissão da doença. Entretanto, apenas a presença do inseto perto dos domicílios já serve de alerta, pois representa um risco para a população. Segundo revisão sistemática publicada em 2014, estima-se que o número de casos de doença de Chagas no Brasil, atualmente, gire em torno de 4,6 milhões de pessoas.

O estudo foi realizado pela pesquisadora Adriana Benatti Bilheiro, da Universidade Federal de São João del-Rey, sob a orientação do professor Luís Marcelo Aranha Camargo, coordenador do ICB5, núcleo avançado da USP na cidade de Monte Negro que realiza pesquisas científicas e atividades de ensino, além de projetos da área da saúde com a comunidade local e da região.


Em Monte Negro, Rondônia, os barbeiros foram encontrados vivendo dentro de 
palmeiras, principalmente babaçu e bacuri, onde encontram abrigo, e se alimentam 
de sangue de ratos, aves, gambás e outros marsupiais – Foto: Adriana Benatti Bilheiro

A espécie Rhodnius montenegrensis foi descrita em 2012 pelo pesquisador João Aristeu da Rosa, docente do campus de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a partir de uma pesquisa de campo de coleta de barbeiros coordenada por Aranha Camargo.
“Essa descoberta é bem importante porque é uma espécie nova onde encontramos o T. cruzi e ela apresenta potencial para transmissão. Só acreditamos que ainda não está havendo porque o ambiente da casa amazônica é inóspito para o barbeiro”, explica o coordenador do ICB5.


Estratégia pode resultar em tratamento mais eficiente para Chagas


Segundo Aranha Camargo, o perfil de infecção pelo T. cruzi mudou ao longo dos anos. Antes, os Estados do Nordeste, além de São Paulo e Minas Gerais, concentravam os casos de Chagas no Brasil, com transmissão da doença através da urina e fezes do barbeiro, que abriga os parasitas e que, por sua vez, penetram pela pele no local da picada. As casas de pau a pique (barro), muito comum nesses locais, eram o hábitat perfeito para o barbeiro: temperatura adequada e espaços nas paredes onde podiam se esconder e se reproduzir, saindo à noite para se alimentar de sangue humano.

“Nos últimos dez anos, a ocorrência de casos de doença de Chagas desviou do eixo Sudeste-Nordeste para a região Norte, onde temos entre 30% a 40% dos casos brasileiros, totalizando mil casos novos notificados somente na região nos últimos dez anos”, informa Aranha Camargo. Em Monte Negro, a maioria das casas é de tábua com cobertura de telhas de amianto, o que deixa o local muito quente e sem “esconderijos” para o barbeiro.


Contaminação alimentar

Atualmente a transmissão é muito menos por via vetorial, ou seja, pelas fezes e urina do barbeiro no local da picada, e muito mais por contaminação de alimentos. O barbeiro é atraído pela luz da casa e pode cair dentro do alimento e ser triturado ou esmagado. Nesse tipo de contaminação, a doença se manifesta de uma forma mais severa, mais virulenta, por causa da forma de apresentação do parasita para o sistema imune humano. “No Estado do Pará, devido ao hábito de consumo de açaí in natura, em que a polpa e as sementes precisam ser trituradas, a contaminação via oral é muito comum”, conta.


Descoberta molécula que age na inflamação cardíaca no mal de Chagas

Em Monte Negro, os barbeiros foram encontrados vivendo dentro de palmeiras, principalmente babaçu e bacuri, onde encontram abrigo, e se alimentam de sangue de ratos, aves, gambás e outros marsupiais. Futuramente, eles podem migrar para o peridomicílio humano e começar a se alimentar de cachorros, porcos e galinhas. No caso do babaçu, o desmatamento e as queimadas favorecem a sua proliferação.

Aranha Camargo conta que foram encontrados, em média, cerca de cinco barbeiros por palmeira. Quanto mais perto das casas, maior era a quantidade desses insetos. “Independentemente de se domiciliar ou não, ele ainda representa um risco de transmissão de T. cruzi pela via oral, pois pode contaminar os alimentos que estão sendo preparados”, alerta.


A doença de Chagas

A doença de Chagas tem duas fases. A aguda ocorre entre uma semana e 15 dias após a infecção e pode ser confundida com um doença febril, malária, dengue ou gripe. O local onde o parasita depositou as fezes e a urina fica inchado e avermelhado (chagoma). Nesta fase aguda, muitas pessoas podem morrer por meningoencefalite (um tipo de meningite) e miocardite (inflamação aguda do coração que pode causar parada cardíaca e arritmia cardíaca).

“Não se faz diagnóstico nesta fase”, lamenta Aranha Camargo. “Seria fácil fazer o diagnóstico assim como fazemos para a malária”, explica, lembrando que o ICB5, por ser uma unidade de pesquisa da USP, faz o diagnóstico para Chagas, porém o mesmo não ocorre rotineiramente no SUS.

Depois dessa primeira fase aguda, a doença entra em sua forma silenciosa. O parasita se reproduz nas células musculares cardíacas e do tubo digestivo. Ele se multiplica e forma outras “ninhadas” de tripanossomatídeos.

De modo geral, 30% dos infectados não apresentam sintomas e morrem com Chagas mas sem manifestação clínica da doença.

Outros 30%, aproximadamente, apresentam manifestações gastrointestinais. As mais clássicas são dificuldade de engolir, deglutir alimentos e eliminar fezes. Ao se desenvolver em células nervosas do tubo digestivo, o parasita as destrói, o que leva à perda da motilidade desse sistema (que empurra o bolo alimentar da boca ao ânus). O esôfago pode perder o movimento que empurra o alimento e muitas pessoas morrem de desnutrição. Outras têm a paralisação do sistema do tubo digestivo na parte terminal e não conseguem eliminar as fezes, ficando semanas sem evacuar. Nesses casos, pode ser necessário intervenção cirúrgica.


Na próxima fase, os pesquisadores pretendem ampliar o estudo e verificar
a ocorrência de barbeiros nos quatro biomas existentes em Rondônia
 – Foto: Adriana Benatti Bilheiro


Os outros cerca de 30% desenvolvem as formas cardíacas da doença. O parasita se multiplica no coração e vai destruindo as fibras do órgão, que deveria ser elástico, mas vai ficando fibrosado (cicatrizado) e perdendo a capacidade de contração. Dependendo do local onde o parasita se alojou, ele pode também interromper a condição de estímulos elétricos do sistema elétrico do órgão, dando origem a arritmias ou insuficiência cardíaca – ou ambas.

Em poucos casos, cerca de 10%, a doença se manifesta tanto na sua forma cardíaca como na digestiva.

O tratamento é feito com benzonidazol, distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com certa regularidade. O medicamento é capaz de curar a doença de Chagas, pois mata o parasita e interrompe sua multiplicação.

Quanto mais precoce o tratamento, maiores as chances de cura sem evolução de gravidade da doença. O diagnóstico não costuma ser rápido. Em Monte Negro, por exemplo, o setor público está treinado para realizar testes de detecção de malária, mas não para o Trypanosoma cruzi.

“Minha sugestão é o governo qualificar os mesmos microscopistas que fazem diagnóstico de malária para que sejam treinados para identificar o T. cruzi”, sugere o docente.


Análise dos biomas

Na próxima fase, os pesquisadores pretendem ampliar o estudo e verificar a ocorrência de barbeiros nos quatro biomas existentes em Rondônia: cerrado, área entrópica (pastos onde há muito babaçu), floresta amazônica e floresta fluvial (beira de rio).

Segundo os pesquisadores, “no Estado de Rondônia, não há registro de casos autóctones de Chagas nos últimos anos. Entretanto, há registro de seis espécies de triatomíneos (barbeiros), uma grande variedade de reservatórios silvestres do T. cruzi e intenso processo de desmatamento que pode, ao longo do tempo, induzir à invasão e colonização de triatomíneos em áreas domiciliares e peridomiciliares”.


Foram encontrados, em média, cerca de cinco barbeiros por palmeira.
Quanto mais perto das casas, maior era a quantidade de insetos encontrada
 – Foto: Adriana Benatti Bilheiro


O ICB5 é um departamento do Instituto de Ciências Biomédicas da USP criado em 1997, na cidade de Monte Negro, em Rondônia. A princípio, o objetivo era pesquisar doenças tropicais negligenciadas como malária, Chagas, leishmaniose, verminoses e micoses profundas. Atualmente dedica-se também ao estudo e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão, diabete e dislipidemias (gordura no sangue). Além de desenvolver estudos nessas áreas e realizar atendimento em saúde para a população de Monte Negro e região, o ICB5 oferece um cenário de internato e um programa de estágios.



Fonte:  ICB/USP



quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Informe Epidemiológico - Febre Amarela 2018





Em 2018, foram registrados 262 casos da doença no estado


A Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do RJ informa que em 2018 foram registrados 262 casos de febre amarela silvestre em humanos, sendo 84 óbitos:

- 23 casos - Teresópolis, sendo oito óbitos
- 40 casos - Valença, sendo seis óbitos
- 16 casos - Nova Friburgo, sendo cinco óbitos
- 2 casos – Petrópolis, sendo um óbito
- 5 casos - Miguel Pereira, sendo dois óbitos
- 14 casos - Duas Barras, sendo dois óbitos
- 4 casos - Rio das Flores, sendo um óbito**
- 5 casos - Vassouras, sendo três óbitos
- 12 casos - Sumidouro, sendo cinco óbitos
- 7 casos - Cantagalo, sendo quatro óbitos
- 1 caso - Paraíba do Sul, sendo um óbito
- 2 casos - Carmo, sendo um óbito
- 2 casos - Maricá, sendo um óbito
- 56 casos - Angra dos Reis, sendo 15 óbitos
- 4 casos - Paty do Alferes, sendo dois óbitos
- 6 casos - Engenheiro Paulo de Frontin, sendo três óbitos
- 1 caso - Mangaratiba **
- 3 casos - Piraí, sendo um óbito
- 3 casos - Cachoeiras de Macacu, sendo um óbito
- 4 casos - Trajano de Moraes, sendo três óbitos
- 6 casos - Rio Claro, sendo três óbitos **
- 5 casos - Silva Jardim, sendo dois óbitos
- 1 caso - Bom Jardim
- 11 casos - Barra do Piraí, sendo três óbitos
- 2 casos - Sapucaia, sendo dois óbitos
- 10 casos - Paraty, sendo três óbitos
- 1 caso - Pinheiral
- 5 casos - Itatiaia
- 6 casos - Resende, sendo três óbitos
- 1 caso - Guapimirim
- 2 casos - Três Rios, sendo um óbito
- 2 casos - Rio Bonito, sendo dois óbitos


Número de localidades com casos confirmados de febre amarela em macacos: 18 

- Angra dos Reis
- Araruama
- Barra Mansa
- Cachoeira de Macacu
- Duas Barras
- Engenheiro Paulo de Frontin
- Itatiaia
- Miguel Pereira
- Mangaratiba
- Paraty
- Petrópolis
- Rio de Janeiro
- São Pedro da Aldeia
- Silva Jardim
- Tanguá
- Valença                                                                                                                                   
- Vassouras
- Volta Redonda

*A SES ressalta que os macacos não são responsáveis pela transmissão da febre amarela. A doença é transmitida através da picada de mosquitos.


Ao encontrar macacos mortos ou doentes (animal que apresenta comportamento anormal, que está afastado do grupo, com movimentos lentos etc.), o cidadão deve informar o mais rápido possível às secretarias de Saúde do município ou do estado do RJ.


*A Secretaria reforça a importância das pessoas que ainda não se vacinaram buscarem um posto de saúde próximo de casa para serem imunizadas.


*O boletim leva em consideração o Local de Provável Infecção (LPI).


** LPI atualizado


SES - 30/11/18


Risco de acidentes com peçonhentos aumenta no verão




O Instituto Vital Brazil alerta a população do Rio de Janeiro para a maior possibilidade de aparecimento de animais peçonhentos (cobras, aranhas e escorpiões) no verão. A atenção deve ser especial para quem mora nas áreas de encosta e no interior do estado, principalmente nas zonas rurais.

Isso porque é nos dias de maior calor que os filhotes das serpentes nascem. No próprio Instituto, os animais já começaram a nascer. Desde o início de dezembro, o plantel já ganhou 17 novos filhotes de jararaca. Nove da espécie Bothrops Moojeni (comum em parte das regiões Sul, Centro Oeste e Central do Brasil) e oito Bothrops jararaca (comum no Rio de Janeiro). -Dependendo da espécie, podem nascer até 50 filhotes, como é o caso da jararacaçu, espécie que tem 16 vezes mais veneno que outras serpentes - afirma Claudio Maurício Vieira, biólogo do Instituto. De acordo com o biólogo, mesmo os animais recém-nascidos já têm o veneno capaz de provocar danos à saúde. Por serem pequenos e em maior número que os adultos, os filhotes representam um risco extra porque a observação é dificultada. O biólogo afirma, ainda, que é importante que o serpentário do Instituto mantenha bichos do mesmo grupo e diferentes espécies para que o pool de venenos usado na produção de soro seja o mais diversificado possível.

Já os escorpiões, que antes eram mais frequentes no inverno, têm sido encontrados no ano todo. Claudio explica que o que ocorre é que atualmente a estação não é mais definida, com períodos de frio intenso.

- Atualmente, há dias no inverno que atingem os 30°C com facilidade - lembra o biólogo.

No caso das aranhas e lacraias, há um aumento da atividade na época de alta umidade, que é o caso do verão. Com a chuva, que provoca a erosão, os animais tendem a descer as encostas e chegar às casas e áreas urbanas. As chances de acidentes aumentam quando há acúmulo de entulhos e de lixo, que atrai insetos e ratos, alimentos para os animais peçonhentos.

Os números do Ministério da Saúde, de 2016, apontam, no Brasil, mais de 160 mil acidentes com animais peçonhentos: 29 mil com aranhas, 26 mil com cobras e 91 mil com escorpiões.


Como evitar acidentes


Para evitar acidentes, o Instituto Vital Brazil informa que deve-se manter a casa sempre limpa, removendo entulhos, madeira e materiais de construção, limpar cantos das paredes, atrás e dentro de armários e guarda-roupas, rebocar paredes e muros. É importante verificar calçados e roupas antes de vestir. Também é recomendável manter gramados aparados e os arredores da casa sempre limpos, evitando o aparecimento de animais que possam servir de alimento para serpentes, aranhas e escorpiões (como baratas e roedores).


Sobre o Instituto


O Instituto Vital Brazil (www.vitalbrazil.rj.gov.br) é uma instituição de ciência e tecnologia do Governo do Estado do Rio de Janeiro ligado à Secretaria de Estado de Saúde. É um dos 21 laboratórios oficiais brasileiros, um dos quatro fornecedores de soros contra o veneno de animais peçonhentos e produtor de medicamentos estratégicos para o Ministério da Saúde.



Fonte:  Rio Com Saúde

sábado, 29 de dezembro de 2018

Como o aquecimento global pode multiplicar a população de ratos


Getty Images


Chicago, uma cidade americana associada a muitos símbolos, incluindo a música e os esportes, é hoje conhecida como a "capital dos ratos" dos Estados Unidos.

Na Indonésia, estima-se que as perdas anuais de colheitas de arroz decorrentes de danos causados por roedores estão na ordem de 17%.

Se isto é uma guerra, então os humanos estão perdendo. E as coisas estão fadadas a piorar: cientistas alertam que a urbanização crescente e o aquecimento global provocarão aumento nas populações de roedores em todo o mundo.


Urbanização: mais prédios para humanos... e para ratos também



Getty Images
Ratos espalham doenças, comprometem a segurança alimentar e causam estragos em estruturas criadas pelo homem. Um estudo da Universidade de Cornell, por exemplo, estima que estes animais causam prejuízos de US$ 19 bilhões (cerca de R$ 74 bilhões) todos os anos nos Estados Unidos.

Sobre as populações humanas, a estimativa das Nações Unidas aponta que, até 2050, quase 70% das pessoas em todo o mundo viverão em cidades - acima dos atuais 55%.

Mais pessoas e mais prédios nas cidades significam mais comida e abrigo para os ratos, que há milhares de anos têm vivido bem perto dos seres humanos para aproveitar o que deixam para trás.

Uma espécie, mais do que qualquer outra, representa um grande problema: o Rattus norvegicus, conhecido como ratazana ou rato-castanho, um dos tipos mais comuns.

Temperaturas mais altas levarão a ciclos reprodutivos mais longos - ou seja, com o nascimento de mais filhotes -, o que não pode ser menosprezado no caso do roedor. De acordo com especialistas, um casal de ratos pode criar um ninho com 1.250 indivíduos em apenas 12 meses.

"Os ratos são um inimigo terrível e precisamos aceitar que é impossível erradicá-los. Matá-los não funciona, porque os que ficam para trás podem se recuperar rapidamente", explicou à BBC Steve Belmain, professor de ecologia da Universidade de Greenwich, em Londres.


Mudando a tática


"Uma ratazana fêmea já pode ter filhotes às 5 ou 6 semanas de idade, por exemplo", diz o cientista.

Belmain faz parte de um grupo de pesquisadores que tentam alterar o "discurso militar" na abordagem dos problemas criados pelos ratos.

"O problema que temos com a abordagem da guerra é que estamos simplesmente reagindo ao inimigo em vez de planejarmos proativamente antes de atacar", diz Michael Parsons, biólogo da Fordham University, em Nova York.

"Não ajuda o fato de sabermos muito mais sobre pandas gigantes do que sobre ratos-castanhos. Existe uma escandalosa falta de pesquisas sobre eles".

Para ilustrar seu desânimo, Parsons cita uma estatística surpreendente: alguns pesquisadores calcularam que os ratos causaram mais mortes do que todas as guerras combinadas nos últimos mil anos.

Estes animais foram associados, por exemplo, à peste negra, uma pandemia de peste bubônica que dizimou um terço da população da Europa no século 14. Alguns cientistas, no entanto, têm questionado se são os roedores, e não pulgas e piolhos humanos, os verdadeiros culpados pela pandemia.

"Os ratos não vão embora, porque aprenderam a viver perto de nós e a não se assustar com os humanos. Ainda assim, estamos incrivelmente no escuro no que sabemos sobre seus hábitos", critica Parsons.

A maioria das soluções usadas hoje em dia envolve matar os animais, especialmente por envenenamento. Mas isso cria riscos ambientais e também pode afetar seres humanos e outros animais.

Os cientistas também registraram casos em que ratos desenvolveram imunidade a alguns tipos de substâncias supostamente destinadas a matá-los.

Além disso, de acordo com organizações como o Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), o envenenamento é um método extremamente doloroso para matar estes animais.


Gatos não dão conta


"Os venenos são inúteis, perigosos para os humanos e extremamente cruéis, já que os animais passam dias sofrendo antes de finalmente morrerem em agonia", diz um porta-voz do Peta.

"Quando os animais morrem, o aumento resultante na disponibilidade de alimentos provoca acasalamento acelerado entre os sobreviventes e os recém-chegados - e isso significa aumento das populações".

Getty Images
Algumas cidades também apostaram no uso de predadores contra infestações de ratos. Washington, por exemplo, colocou "pelotões" de gatos em plena capital americana.

Discute-se há muito tempo o papel dos ratos na disseminação da peste bubônica
Mas a pesquisa de Parson foi um grande golpe para esse tipo de iniciativa.

No período de cinco meses em que ele e sua equipe monitoraram uma colônia de ratos no Brooklyn, em Nova York, os gatos conseguiram matar apenas dois de uma população estimada de 150 ratos.

"Gatos e ratos são mais propensos a ignorar ou a evitar um ao outro do que se engajar em conflitos diretos, especialmente depois que os ratos atingem um certo tamanho", explica Gregory Glass, ecologista de doenças da Universidade da Flórida.


Contraceptivos para ratos


Em 2016, a empresa americana Sensetech anunciou ter criado um contraceptivo que poderia tornar as ratas inférteis. Nas palavras da fundadora da empresa, Loretta Mayer, a invenção "mudaria o mundo".

O produto, o ContraPest, foi testado em vários tipos de ambiente e, de acordo com a Sensetech, resultou em uma "redução adicional de 46% na atividade de ratos na comparação com o uso de um método letal sozinho".

O ContraPest foi testado em Nova York no ano passado - acredita-se que a cidade seja a casa de mais de 2 milhões de ratos. Mas alguns especialistas são mais céticos na eficácia deste produto.

"Os ratos que não morderem a isca podem na verdade acabar procriando mais, pois haverá menos competição por comida", disse Peter Banks, especialista da Universidade de Sydney, à revista New Scientist.

O que parece ser consenso é que a interrupção da disponibilidade de comida para ratos é a chave para manter as populações destes animais à distância.


Cada rato por si


"As soluções são mais básicas do que pensamos. Se as autoridades lidarem com questões como armazenamento de lixo e falta de saneamento, isso pode ter efeitos profundos", diz Steve Belmain.

Com menos comida, os ratos "se voltam para si", de acordo com Mike Parsons.

"A indústria de combate aos roedores é um negócio de bilhões de dólares. Mas ações simples como carregar o lixo consigo em vez de despejá-lo em uma lixeira pública podem ser mais eficazes."

"Com menos comida, os ratos terão que ajustar sua população. Isso implica em se reproduzir menos e lutar uns contra os outros."

Mas, para Jan Zalasiewicz, paleobiologista da Leicester University, se as coisas continuarem como estão, o futuro pode realmente pertencer a ratos.

"Os ratos são um dos melhores exemplos de espécies que ajudamos a espalhar pelo mundo e que se adaptaram com sucesso a muitos dos novos ambientes em que acabaram se encontrando", disse Zalasiewicz à BBC.

"Eles serão protagonistas do futuro geológico da Terra e podem sobreviver aos humanos."


Fonte:  BBC News Brasil


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

CCZ promove ações educativas para agentes comunitários da região de Pendotiba




Agentes comunitários de saúde do Programa Médico de Família da região de Pendotiba receberam neste mês de dezembro ações educativas promovidas pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC).

Ministrada por Delcir Vieira e Patrícia de Oliveira, as atividades desenvolveram-se por meio de bate papo interativo e exibição de slide-show, nos moldes de palestra, e tiveram o objetivo principal de instruir os profissionais para o emprego do conhecimento nas ações educativas a serem realizadas na comunidade. 

O tema Pombos Urbanos foi discutido nos módulos do PMF Abelardo Ramirez bairro Matapaca, em 11/12, e do PMF Sapê, em 17/12, com o objetivo de sensibilizar sobre a importância da adoção de medidas que evitem a oferta de alimento e o acesso a locais que possam se tornar abrigo dos pombos e favorecer a reprodução dessa ave – especialmente no ambiente domiciliar e de convívio. Teve como pauta os tópicos: biologia dos pombos, os fatores que favorecem sua presença, os cuidados para manejá-lo, quais as principais doenças causadas e como deve ser feito o controle efetivo desses animais.

Segundo relatos dos agentes do Sapê, a comunidade no entorno da unidade tem a prática de alimentar pombos e animais de rua, favorecendo a proliferação destes, além de ratos, e com as informações apresentadas será mais fácil sensibilizar os moradores quanto a esse hábito desacertado.  Já os agentes do Matapaca disseram que não sabiam da dimensão dos riscos que os pombos oferecem à Saúde Pública.


PMF Matapaca (11/12)


 PMF Sapê (17/12)


No PMF Sapê tratou-se também do assunto Pediculose (03/12), abordando os itens:  tipos de piolhos, o piolho capilar, ciclo de vida, dificuldades causadas nas crianças e jovens, prevenção e tratamento. O propósito da atividade foi de informar a respeito dos cuidados básicos para prevenir e tratar possível infestação de piolhos. 

“Além de toda a informação apresentada, como prevenção e tratamento, percebemos que muitos moradores ainda utilizam venenos para o combate aos piolhos. Essa palestra esclareceu bastante os riscos que produtos como álcool e inseticidas podem provocar, especialmente graves acidentes em crianças”, esclareceu Patrícia de Oliveira.





Visando sensibilizar sobre a importância do cuidado com a saúde familiar, nos módulos do PMF João Sampaio, bairro Maceió, em 12/12, e PMF do Matapaca, em 13/12, falou-se a respeito de higiene pessoal e ambiental, tendo como questões: conceito de higiene, higiene pessoal e ambiental, lavagem das mãos e saúde, cuidados com a água de consumo e alimentos, piolho e sarna.

As orientações reforçaram conhecimentos adquiridos e motivaram os ACS’s a trabalharem mais intensamente as práticas com alguns usuários da unidade.  No módulo do Maceió, a dentista Ana participou da palestra e contribuiu com informações valiosas sobre higiene bucal.


  PMF Maceió (12/12)



 PMF Matapaca (13/12)


Em 18/12 a equipe do IEC encerrou o ciclo de ações com o tema Arboviroses no PMF do Maceió. O objetivo foi alertar acerca dos perigos à saúde causados pelas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.  Os palestrantes discorreram sobre o histórico e conceito das arboviroses, sintomas, comportamento do mosquito transmissor (o Aedes aegypti), principais criadouros do inseto, distribuição de casos da doença no município, e métodos de controle do vetor de transmissão. 

Segundo Patrícia, com a proximidade do verão e consequente aumento de chuvas, a unidade já vem recebendo pessoas com suspeita de arboviroses. “Transmitimos algumas atualizações sobre a mutação do Aedes aegypti e reforçamos sobre as diversas maneiras de como podemos sensibilizar os moradores que ainda não mudaram seus hábitos quanto aos possíveis criadouros”, contou a palestrante.




quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Educação em Saúde fala sobre Boas Práticas na Manipulação de Alimentos na UMEI Eduardo Campos


Com o objetivo de informar a respeito dos procedimentos adequados à manipulação de alimento que beneficiam a qualidade dos produtos e a saúde do consumidor, o Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – realizou a palestra Boas Práticas na Manipulação de Alimentos para merendeiras da Unidade Municipal de Educação Infantil Governador Eduardo Campos, bairro Maria Paula, em 10 de dezembro.

Ministrada pelos agentes Delcir Vieira e Patrícia de Oliveira, a ação educativa em saúde desenvolveu-se por meio de bate papo interativo e exibição de slide-show. Principais tópicos discutidos: conhecendo os erros na cozinha; como implantar as boas práticas; meios de contaminação; alimentos de maior risco; contaminação cruzada; sintomas das Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs); higienização; além de algumas orientações sobre tempo e temperatura dos alimentos.

“Foi muito gratificante.  Como o tema era de grande interesse, as servidoras participaram ativamente e aproveitaram para falar sobre o funcionamento cotidiano de uma cozinha de unidade escolar. Algumas já conheciam as práticas corretas de como manipular alimentos, mas segundo as mesmas, o reforço nas informações contribuíram para a atualização do conhecimento”, relatou a palestrante Patrícia de Oliveira.