quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Anticorpos contra a dengue reduzem chance de contrair zika




O surto da zika, ocorrido no período de 2015/2016, representou uma das maiores emergências de saúde pública do Brasil. Um novo estudo liderado por pesquisadores da Fiocruz Bahia, Fiocruz Pernambuco, Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Escola Pública de Yale, além de outros parceiros internacionais, demonstrou que as pessoas que possuíam anticorpos contra a dengue tinham menor probabilidade de serem infectadas pelo zika durante o surto.

A revelação de que a imunidade resultante da infeção gerada pelo vírus da dengue protegeu indivíduos da zika foi obtida a partir do acompanhamento de uma coorte de 1.453 pessoas, formada por moradores do bairro Pau da Lima, em Salvador, Bahia, uma área em que cerca de 73% dos indivíduos tiveram contato com o vírus zika. O estudo que descreve os procedimentos da pesquisa e os mecanismos que geram a proteção foi publicado na revista Science.

Os vírus da zika e da dengue compartilham muitas semelhanças genéticas e circulam nas mesmas regiões. Uma questão-chave em ainda estava em aberto foi se os anticorpos que são gerados a partir de uma infecção por dengue poderiam protegem as pessoas ou as tornam mais suscetíveis a uma infecção por zika. “Este estudo é o primeiro a avaliar esta questão e demonstrar que a imunidade à dengue pode proteger contra uma infecção por zika em populações humanas”, disse Federico Costa, pesquisador visitante da Fiocruz Bahia e professor do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA.

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Mitermayer Galvão dos Reis, destacou que a população de Pau da Lima já é acompanhada há quase 20 anos pelo grupo de pesquisa e defendeu que o fato do trabalho ser multicêntrico contribuiu para o avanço no conhecimento científico. “Estudos anteriores realizados na Fiocruz Bahia já indicaram que a infecção por zika também gerou resposta imune cruzada contra dengue. Mostramos que trabalhando de forma organizada, em parcerias, você pode aumentar o conhecimento científico, gerar evidencia para tomada de decisões políticas futuras e formar e capacitar recursos humanos”, afirmou.

Uma explicação para a relação entre a epidemia e a síndrome congênita associada a zika também foi oferecida pelos pesquisadores. “A taxa de infecção extremamente alta entre as mulheres grávidas de comunidades empobrecidas, como no nosso local de estudo, foi certamente a principal razão pela qual tivemos um grande surto de microcefalia entre as crianças no final de 2015”, disse Albert Ko, professor da Escola de Saúde Pública de Yale e um dos autores principais do estudo.

A pesquisa indicou que, embora a taxa geral de infecção tenha sido alta em Pau da Lima, os pesquisadores descobriram grandes diferenças no risco de infecção pelo zika, em curtas distâncias. Dependendo de onde as pessoas viviam, as taxas de infecção variavam de um mínimo de 29% a um máximo de 83%. Os autores defenderam que, embora houvesse áreas da comunidade que não foram atingidas pelo zika durante o surto, a grande maioria da população estava infectada com o vírus altamente transmissível e por isso desenvolveu imunidade a esse vírus, o que, por sua vez, levou à extinção da transmissão e causou o declínio do surto. “A pandemia de zika criou altos índices gerais de imunidade a esse vírus nas Américas, o que será uma barreira para os surtos nos próximos anos”, disse Isabel Rodriguez-Barraquer, professora assistente da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

O estudo foi apoiado pela Escola de Saúde Pública de Yale, Ministérios da Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia do Brasil e os Institutos Nacionais de Saúde.



Fonte:  Fiocruz


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sábado de mutirão de combate ao Aedes aegypti no Engenho do Mato




Profissionais do Serviço de Controle de Vetores (SECOV), do Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ), realizaram na manhã de sábado (09/02) mutirão no bairro Engenho do Mato em busca de focos e criadouros Aedes aegypti, mosquito transmissor das arboviroses dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana.

O mutirão teve o objetivo de intensificar as ações já realizadas rotineiramente durante o ano todo e mobilizar a população para o combate ao mosquito.

Os agentes percorreram as ruas, vistoriando casas e comércios, a procura de possíveis focos do inseto, aplicando larvicida e inseticida, quando necessário, e distribuindo material informativo.   Do total de imóveis (974), foram vistoriados 721, houve duas recusas aos serviços dos colaboradores e 251 propriedades estavam fechadas. Durante a ação, 19 residências também receberam tratamento contra roedores.

A iniciativa fez parte das estratégias do Comitê de Combate à Dengue da Regional de Itaipu para diminuir a proliferação do inseto na área.  O comitê envolve várias secretarias como a de Conservação e Serviços Públicos, Saúde, Educação, Obras, CLIN (Companhia de Limpeza Urbana de Niterói), além de atores sociais da região – associação de moradores, escolas, unidades de saúde, entre outros.

Ação diária – Além dos mutirões, as equipes do CCZ realizam trabalho intenso de rotina de prevenção e combate ao mosquito em Niterói. Agentes vistoriam diariamente imóveis em todas as regiões do município, combatendo focos do inseto e orientando a população. Profissionais do Programa Médico de Família também atuam em parceria com o CCZ nas suas áreas de cobertura. Niterói também possui Comitês Regionais de Combate à Dengue, organizados pelas Policlínicas Regionais, com ações elaboradas de acordo com as características de cada comunidade.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Arboviroses Emergentes: FEBRE DO NILO OCIDENTAL


A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral causada por um arbovírus, o vírus do Nilo Ocidental (WNV), da família Flaviviridae, gênero Flavivirus.  Os fatores de risco estão relacionados à presença do ser humano em áreas rurais e silvestres que contenham o mosquito infectado pelo vírus e que, por ventura, venha a picar estes seres humanos.




Isolado pela primeira vez em 1937, em uma região do Norte de Uganda chamada West Nile (em português, Nilo Ocidental), os cientistas apostam na hipótese que o vírus saiu da África pela primeira vez de carona com aves migratórias que fazem o trajeto entre a costa oeste africana e a península ibérica.

No verão de 1999, o vírus foi detectado em Nova York, matando sete pessoas. O que aconteceu entre esse primeiro episódio e o ano de 2015 foi grave: 43.937 pessoas contaminadas e 1.911 vítimas fatais – isso sem contar os incontáveis animais silvestres e domésticos, como cachorros, cavalos e aligátores. 

Apesar do Culex ser apontado como principal responsável pela circulação do vírus durante a série de surtos nos EUA, o Aedes aegypti também é um vetor em potencial.  

Na América do Sul, evidências sorológicas de WNV foram detectadas em cavalos e pássaros na Colômbia, Venezuela e Argentina. No Brasil, a primeira evidência sorológica de WNV ocorreu em 2009, na região do Pantanal, Mato Grosso do Sul, com o isolamento do vírus em cavalos. Recentes estudos ainda confirmam a circulação desse arbovírus em equinos, principalmente cavalos, nessa mesma região. No final de 2014, o primeiro caso humano de Febre do Oeste do Nilo foi reportado no estado do Piauí.





Transmissão

O vírus da Febre do Nilo Ocidental é transmitido por meio da picada de mosquitos infectados, principalmente do gênero Culex (pernilongo). Os hospedeiros naturais são algumas espécies de aves silvestres, que atuam como amplificadoras do vírus e como fonte de infecção para os mosquitos.

Também pode infectar humanos, equinos, primatas e outros mamíferos. O homem e os equídeos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, uma vez que a contaminação do vírus se dá por curto período de tempo e em níveis insuficientes para infectar mosquitos, encerrando o ciclo de transmissão.

Outras formas mais raras de transmissão já foram relatadas e incluem transfusão sanguínea, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão transplacentária.

A transmissão por contato direto já foi demonstrada em laboratório para algumas espécies de aves, no entanto não há transmissão de pessoa para pessoa.




Sintomas

A doença pode ser assintomática ou apresentar sintomas distintos, de acordo com cada pessoa e com o nível de gravidade da doença.

Em até 80% dos casos, quem contrai a doença não desenvolve nenhum tipo de sintoma. Os outros 20% irão desenvolver um quadro de febre, dores pelo corpo, vômitos e diarreia. A recuperação é quase certa, mas a sensação de cansaço pode durar por semanas ou até meses.

A forma leve da doença caracteriza-se pelos seguintes sinais:

•  febre aguda de início abrupto, frequentemente acompanhada de mal-estar;
•  anorexia;
•  náusea;
•  vômito;
•  dor nos olhos;
•  dor de cabeça;
•  dor muscular;
•  exantema máculo-papular e linfoadenopatia.

O período de incubação intrínseca - tempo entre a infecção do hospedeiro e a manifestação de sinais e sintomas - nos humanos varia de 3 a 14 dias após a picada do mosquito e pode apresentar manifestação subclínica ou com sintomatologia de distintos graus de gravidade, variando desde febre passageira - acompanhada ou não de mialgia (dor muscular) - até sinais e sintomas de acometimento do sistema nervoso central com encefalite ou meningoencefalite grave.

Um em cada 150 indivíduos infectados desenvolve doença neurológica severa (meningite, encefalite ou poliomielite). A encefalite é o quadro mais comum entre as manifestações cerebrais. Em menos de 1% das pessoas infectadas, o vírus causa uma infecção neurológica grave, incluindo inflamação do cérebro (encefalite) e das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal (meningite). A Síndrome de Guillain Barré também pode se apresentar, assim como em outros tipos de infecção.

As formas graves da Febre do Nilo Ocidental atingem com maior frequência as pessoas com idade superior a 50 anos.  Entre as complicações possíveis, estão apresentações neurológicas graves, como, por exemplo: ataxia e sinais extrapiramidais, anormalidades dos nervos cranianos, mielite (inflamação da medula espinhal), neurite óptica, polirradiculite e convulsão.  Se não tratada corretamente, em casos raríssimos a Febre do Nilo Ocidental pode matar.

Segundo o Centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos (CDC/USA), mulheres grávidas não apresentam maior risco para infecção por vírus do Nilo Ocidental.  Com relação às grávidas já infectadas pelo vírus, as evidências apontam para um baixo risco de infecção para o feto ou recém nascido, com poucos casos sendo reportados.  Parecem ser raros os casos de transmissão do vírus da Febre do Nilo Ocidental para o bebê por meio da amamentação, porém esse tema ainda precisa ser mais bem estudado.

Após a infecção, a pessoa pode desenvolver imunidade duradoura contra o vírus causador da Febre do Nilo Ocidental.





Diagnóstico

O teste diagnóstico mais eficiente para a Febre do Nilo Ocidental é a detecção de anticorpos IgM contra o vírus do Nilo Ocidental em soro (coletado a partir do 5º  dia após o início dos sintomas) ou em líquido cefalorraquidiano (LCR; coletado após o 8º dia a partir do início dos sintomas), utilizando a técnica de captura de anticorpos IgM (ELISA).

O diagnóstico diferencial da Febre do Nilo Ocidental inclui diversas arboviroses (neuroinavasivas e não neuroinvasivas) e outras doenças virais febris agudas (como dengue, leptospirose, febre maculosa, e outras) ou com acometimento do sistema nervoso central. Assim, a abordagem sindrômica é a mais indicada para a vigilância da FNO, a partir da identificação de pacientes com quadros neurológicos de etiologia viral (encefalite, meningite, meningoencefalite, paralisia flácida aguda) sem causa conhecida.


Tratamento

Não existe vacina ou tratamento antiviral específico para a Febre do Nilo Ocidental. O tratamento é sintomático para redução da febre e outros sintomas. Para casos leves, analgésicos podem ajudar a aliviar dores de cabeça leves e dores musculares. Não consuma nenhum tipo de medicamento sem a devida orientação médica.

Os casos mais graves, frequentemente, necessitam de hospitalização para tratamento de suporte, com reposição intravenosa de fluidos, suporte respiratório e prevenção de infecções secundárias, além de tratamento específicos para pacientes com quadros de encefalites ou menigoencefelite em sua forma severa.


Prevenção

Não existem formas efetivas de se prevenir a Febre do Nilo Ocidental, exceto evitar a presença de insetos nas áreas onde vivem os seres humanos. As medidas abaixo ajudam a reduzir os riscos:

•  Evite água parada.
•  Evite locais sem saneamento básico.
•  Coloque tela nas janelas e portas.
•  Não despeje lixo em valas, valetas, margens de córregos, rios e riachos.
•  Use inseticidas e larvicidas.
•  Use repelentes.

Quem vive ou trabalha em área onde há mosquitos infectados está em risco de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental (VNO). Portanto, todos os trabalhadores devem ter o cuidado de reduzir o seu potencial de exposição à infecção.

Trabalhadores em risco são aqueles que trabalham ao ar livre, que incluem: médicos veterinários, agrônomos, zootecnistas, biólogos, agricultores, paisagistas, jardineiros, trabalhadores da construção civil, entomologistas e outros trabalhadores de campo.

Evite manusear animais mortos quando possível. Evite o contato direto. Se você deve lidar com eles, usar luvas duplas de procedimento, que fornecem uma barreira protetora entre sua pele e sangue ou outros fluidos corporais.



Sugestão de vídeo:


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Fontes: 

Ministério da Saúde

Instituto Evandro Chagas

Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte

AEDES DO BEM!

Revista de Saúde Pública / Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Niterói tem duas mil casas vistoriadas contra Aedes aegypti em janeiro


O objetivo da Fundação Municipal de Saúde (FMS) é intensificar as ações já realizadas rotineiramente durante o ano todo




A Prefeitura de Niterói vistoriou, apenas em janeiro, mais de duas mil casas como parte das medidas de prevenção e o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Neste primeiro mês, durante os mutirões realizados pela Fundação Municipal de Saúde, foram vistoriados imóveis no Vital Brazil, MartinsTorres, Barreto e Caramujo. No próximo sábado (09/02) será a vez do Engenho do Mato receber o mutirão. O objetivo da Fundação Municipal de Saúde (FMS) é intensificar as ações já realizadas rotineiramente durante o ano todo.

Os agentes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) percorrem as regiões vistoriando casas, comércios e praças para identificar possíveis criadouros do mosquito e eliminá-los. Além do combate, a equipe informa sobre as doenças transmitidas e medidas necessárias paraevitar a proliferação dentro de casa. O verão é o período com maior incidência do Aedes.

A iniciativa faz parte das estratégias dos Comitês de Combate à Dengue de todas as regiões da cidade para diminuir a proliferação do inseto. Os comitês envolvem várias secretarias como a de Conservação e Serviços Públicos, Saúde, CLIN (Companhia de Limpeza Urbana deNiterói), a Administração Regional do Barreto, além de atores sociais da região – associação de moradores, escolas e unidades de saúde.

De acordo o chefe do CCZ de Niterói, Francisco de Faria Neto, o combate ao vetor no ambiente domiciliar e nos demais logradouros públicos é de vital importância para a manter o controle de proliferação.

“A melhor forma de prevenir essas doenças é a eliminação do vetor, ou seja, combater os criadouros do Aedes aegypti, que coloca seus ovos em recipientes com água parada, como garrafas, sacos plásticos e pneus velhos que ficam expostos à chuva”, sinaliza Francisco, indicando a definição de um dia na semana para realizar a troca de água e a lavagem dos reservatórios que não podem ser eliminados, como pratinhos e vasos das plantas.

Ação diária – Além dos mutirões, as equipes do CCZ realizam trabalho intenso de rotina de prevenção e combate ao mosquito em Niterói. Agentes vistoriam diariamente imóveis em todas as regiões do município, combatendo focos do inseto e orientando a população. Profissionais do Programa Médico de Família também atuam em parceria com o CCZ nas suas áreas de cobertura.


Chikungunya: Profissionais receberam curso de capacitação

Nesta semana, a FMS convocou profissionais da saúde municipal paraparticipar de curso de capacitação sobre a chikungunya, no auditório da Policlínica Sergio Arouca, no Vital Brazil. O palestrante Gustavo Magalhães, médico infectologista, abordou temas como o manejo clínico, o diagnóstico, os sintomas e o tratamento.

A chikungunya é uma das três arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e caracteriza-se pela síndrome febril aguda comacometimento nas articulações, as artralgias, que podem tornar os movimentos do corpo incapacitantes. Outro sintoma menos comum é o rash, a alergia com manchas pelo corpo.


Fonte do texto:  O Fluminense
Fonte das imagens:  CCZ de Niterói

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Arboviroses Emergentes: FEBRE DO MAYARO


A Febre do Mayaro é uma doença infecciosa febril aguda causada por um arbovírus, o vírus Mayaro (MAYV), da família Togaviridae, gênero Alphavirus. Normalmente, após uma ou duas semanas, o paciente se recupera completamente da febre do Mayaro. 


O vírus da doença foi isolado pela primeira vez em 1954 na ilha de Trinidad, na América Central. Nessa ilha há uma cidade chamada Mayaro, daí o nome. O primeiro surto no Brasil foi descrito em 1955, às margens do rio Guamá, próximo de Belém/PA. Desde então, casos esporádicos e surtos localizados têm sido registrados nas Américas, incluindo a região Amazônica do Brasil, principalmente nos estados das regiões Norte e Centro-Oeste.

Entre o início de 2015 e março de 2016, o estado de Goiás passou por um surto da doença – cerca de 70 pessoas foram contaminadas nesse período.  Em 2016, cinco pessoas residentes no estado do Amazonas foram diagnosticadas com Mayaro. Pesquisas recentes indicam que o Aedes aegypti é um dos transmissores em potencial da doença.


Transmissão

O vetor principal é o mosquito Haemagogus janthinomys, que vive em habitats mais silvestres, como as florestas ou matas fechadas. Essa espécie de mosquito costuma ficar na copa das árvores e picar macacos e pássaros, que são os hospedeiros primários da doença nesse ecossistema. Quando o mosquito pica um macaco doente, este primata adquire o vírus e, depois de um ciclo em seu organismo, torna-se capaz de transmitir o vírus a outros macacos e ao ser humano. No entanto, quando alguma pessoa entra na mata, principalmente entre 9h e 16h, horário em que o mosquito está mais ativo, ela também pode ser picada e contrair a doença.




Ciclo silvestre (Haemagogus janthinomys) e ciclo urbano (Aedes aegypti)



Sintomas

Após a picada do mosquito infectado, os sintomas iniciam geralmente de 1 a 3 dias após a infecção. Esse tempo pode variar de pessoa a pessoa, dependendo da imunidade individual, quantidade de partículas virais inoculadas e cepa viral, entre de outros fatores.

As manifestações clínicas da febre do Mayaro são semelhantes às de infecções por outros arbovírus:

• iniciam-se com quadro febril agudo inespecífico, semelhante à dengue;
•  cefaleia (dor de cabeça);
•  mialgia (dor muscular);
•  dor nas articulações;
•  inchaço nas articulações;
•  manchas no corpo.


No entanto, na maioria dos casos a doença é autolimitada, com o desaparecimento natural dos sintomas em uma semana. Em alguns casos, o vírus da Febre do Mayaro pode provocar o desenvolvimento de complicações neurológicas, como encefalites, Síndrome de Guillain Barré e outras doenças neurológicas.

Parte dos pacientes infectados pelo vírus da Febre do Mayaro pode apresentar dor intensa nas articulações, acompanhada ou não de inchaço nas articulações. A lesão pode ser limitante ou incapacitante e durar por meses.






Diagnóstico

O diagnóstico da Febre do Mayaro é feito, primeiramente, na avaliação clínica do paciente, com base nos sintomas, e no histórico de onde esteve e o que fez nos últimos 15 dias. Depois disso, o médico pode pedir exames específicos para identificar o vírus e fechar o diagnóstico, tendo em vista que os sinais são muito parecidos com os de outras arboviroses, como Chikungunya.
A Febre do Mayaro não é contagiosa, portanto, não há transmissão de pessoa a pessoa ou de animais a pessoas. Ela é transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus Mayaro.


Tratamento

Não há tratamento específico contra a febre do Mayaro. O médico deve tratar os sintomas, como dores no corpo e cabeça, com analgésicos e antitérmicos. Medicamentos salicilatos devem ser evitados (AAS e Aspirina), já que o uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas.
O médico deve estar alerta para quaisquer indicações de um agravamento do quadro clínico. Os pacientes devem permanecer em repouso e em tratamento sintomático, com analgésicos e/ou drogas anti-inflamatórias - que podem proporcionar alívio da dor e febre.  Repouso e consumo de bastante água também são fundamentais durante a recuperação. Somente um médico é capaz de diagnosticar e tratar corretamente a doença.


Prevenção

Considerando que atualmente não existem vacinas disponíveis no mercado, a única forma de minimizar o risco da febre de Mayaro é evitar exposição com corpo desprotegido em locais de mata e beira de rios, principalmente nos horários de maior atividade do vetor (entre 9 e 16 horas).

Também é indicado utilizar roupas compridas, que minimizem a exposição aos vetores silvestres, preferencialmente acompanhado do uso de repelentes. Cuidado adicional deve ser tomado nas áreas com ocorrência recente de transmissão do vírus Mayaro, como registrado recentemente em municípios de Goiás, Tocantins e no Pará, entre 2014 e 2016.

Além disso, o vírus Mayaro é considerado endêmico na região Amazônica, que envolve os estados da região Norte e Centro Oeste. O vírus ocorre em área de mata, rural ou silvestre e geralmente afeta indivíduos susceptíveis que adentram espaços onde macacos e vetores silvestres ocorrem.



Sugestão de vídeo:  

https://globoplay.globo.com/v/5468275/

Site interessante:  

http://www.arboapp.com.br/



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Fontes:

Ministério da Saúde

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Repelentes: como escolher?




Transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, a dengue, a zika e a chikungunya são doenças que preocupam. Sobretudo no verão, quando a quantidade de casos registrados costuma ser maior. Para se prevenir e evitar surtos e epidemias o mais importante é combater o mosquito transmissor, evitando que ele se reproduza. Mas, sem deixar o combate ao Aedes de lado, há outra medida, esta de proteção individual, que também pode ser adotada, o uso de repelente.

Mas, com tantas opções no mercado, como escolher? Como ele deve ser usado? Para garantir o uso correto do produto, é preciso prestar atenção às orientações do rótulo e, principalmente, se o produto é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No Brasil, há mais de cem produtos registrados como repelentes para a pele, todos com eficácia comprovada para ação em mosquito da espécie Aedes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a utilização de repelentes à base de DEET, IR 3535 e Icaridina, que podem ter tempo estimado de duração. No Brasil, existem as seguintes substâncias na composição de produtos cosméticos com ação repelente. São elas:

- DEEDT (n,n-Dietil-meta-toluamida): os produtos podem ser utilizados a partir dos 2 anos e a duração estimada do efeito é de 2 horas.

- IR 3535 (Ethyl butylacetylaminopropionate): os produtos podem ser usados a partir dos 6 meses de idade e seu tempo de ação estimado é de 4h.

- Icaridina (Hydroxyethyl isobutyl piperidine carboxylate): os produtos podem ser usados a partir dos 2 anos de idade e a duração estimada de ação varia entre 5h e 10h.

A aplicação do repelente deve ser feita nas partes do corpo que ficarão expostas, evitando as regiões próximas da boca, olhos, nariz, ou ainda sobre ferimentos. No caso das crianças, não é indicado que o produto seja aplicado nas mãos. O tempo de ação varia de acordo com cada produto e, por isso, é fundamental a leitura do rótulo. A utilização do produto deve ser feita conforme a orientação do fabricante.


Gestantes

Não há impedimento para a utilização de repelentes por mulheres grávidas, desde que estejam registrados na Anvisa e que sejam seguidas as instruções de uso do rótulo. Repelentes à base de n-Dietil-meta-toluamida (DEET) são seguros para gestantes. Repelentes ambientais e inseticidas também podem ser utilizados em ambientes frequentados por gestantes, desde que registrados na Anvisa e que sejam seguidas as instruções de uso descritas no rótulo.


Crianças

Segundo o Ministério da Saúde e a Anvisa, bebês abaixo dos seis meses não devem utilizar nenhum tipo de repelente, usando apenas as barreiras de proteção – roupas de manga comprida, em ambientes onde existam menor chance de circulação do mosquito. Crianças entre seis meses e dois anos de idade podem usar repelentes a base de IR 3535. Já crianças entre 2 e 12 anos, repelentes a base de DEET com concentração de 10% ou então a Icaridina, também de uso infantil.

É importante ter cuidado ao passar o repelente nas crianças, não aplicando o produto nas mãos, pois elas podem levá-las à boca. É importante, também, estar atento ao intervalo de aplicação. A frequência da aplicação em crianças não deve passar de três vezes por dia.

Em adultos a orientação é que não se passe mais de três a quatro vezes por dia. Caso o produto seja utilizado junto com outro, como o filtro solar, os médicos orientam o uso do filtro solar antes do repelente, com um intervalo de pelo menos 15 minutos para que o filtro seja absorvido pela pele com posterior aplicação do repelente.


Fonte:  RIO COM SAÚDE

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Pesquisa comprova eficácia de medicamento para chikungunya




Pesquisadores da Fiocruz comprovaram a eficácia do medicamento sofosbuvir contra a chikungunya. Coordenado pelo pesquisador do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz Bahia) Thiago Moreno, o estudo foi publicado na última semana no periódico Antimicrobial Agents and Chemotherapy, da American Society for Microbiology.

Foram feitos testes com sofosbuvir em camundongos infectados com o vírus chikungunya, com o objetivo de averiguar se o tratamento seria eficaz em seres vivos. De acordo com o pesquisador, o estudo é o primeiro a comprovar, em células vivas, que o sofosbuvir inibe a replicação do vírus. 

Segundo a pesquisa, o medicamento obteve resultados três vezes melhores em inibir a reprodução do vírus chikungunya do que a ribavirina -  usada para aliviar as dores na articulação causadas pela doença. Na avaliação de Thiago Moreno, o principal resultado foi a prevenção do aumento das células inflamadas.

Como não há vacina ou tratamento específico para a chikungunya, afirma o pesquisador, os pacientes com a doença acabam recebendo tratamento paliativo para aliviar as dores nas articulações. “A pesquisa é importante para que o medicamento seja, num futuro próximo, opção terapêutica para tratar a doença. O sofosbuvir teve resultados positivos e superiores à ribavirina em diversos testes laboratoriais comparativos, com um histórico ainda melhor e mais eficiente contra a replicação da chikungunya, sendo também 25% menos tóxico para as células do corpo”, afirmou.

Os dados da pesquisa revelaram que o sofosbuvir, além de tratar a chikungunya, poderá ter ação contra outras doenças clinicamente importantes e suscetíveis ao tratamento com o medicamento. “O estudo também indica o uso do sofosbuvir para tratamentos em doenças causadas por outros tipos de vírus, além do que causa a hepatite C. Trata-se de um antiviral mais efetivo e seguro que a ribavirina, por exemplo, em diversos casos”, concluiu.

O artigo de chikungunya foi realizado por quatro unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) – em colaboração com Instituto D'Or de Pesquisa (Idor), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Consórcio BMK, formado pelas empresas Blanver Farmoquímica, Microbiológica Química e Farmacêutica e Karin Bruning. A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e Fiocruz.


Histórico

Desde o verão de 2016, as doenças causadas pelo Aedes aegypti têm se tornado as mais prevalentes arboviroses no Brasil. Devido à falta de vacina e um tratamento antiviral específico, os cuidados com a chikungunya são direcionados somente no controle de vetores.

De janeiro a março deste ano foram 4.262 notificações de chikungunya, enquanto em todo o ano de 2017 foram 4.305 casos. Com a chegada do verão, das chuvas e o aumento da temperatura, espera-se que os índices de infestação do mosquito voltem a se elevar, consequentemente, a intensidade da transmissão também tende a aumentar. 



Fonte:  Fiocruz
Imagem:  FamilyDoc