quarta-feira, 10 de outubro de 2018

FATORES DETERMINANTES E CONDICIONANTES PARA A OCORRÊNCIA DE RAIVA EM NITERÓI




FATORES DETERMINANTES E CONDICIONANTES PARA A OCORRÊNCIA DE RAIVA EM NITERÓI, RJ, BRASIL 

DOI: http://dx.doi.org/10.14393/Hygeia142905


DETERMINANTS AND CONDITIONING FACTORS FOR THE OCCURRENCE OF RABIES IN NITERÓI, RJ, BRAZIL



Flavio Fernando Batista Moutinho UFF e Fundação Municipal de Saúde de Niterói - flaviomoutinho@id.uff.br // Fabio Villas Boas Borges Fundação Municipal de Saúde de Niterói - fabiovillas@zipmail.com.br // Francisco de Faria Neto Fundação Municipal de Saúde de Niterói - defarianeto@yahoo.com.br // Claudia Beltri Alves UFRJ - claudiabeltri@hotmail.com


RESUMO

A raiva é uma antropozoonose viral que cursa com encefalite aguda, transmitida por mamíferos e com letalidade próxima de 100%. Um programa de controle da raiva deve ter como pilares prioritários, em sequência de prioridade, a vigilância epidemiológica, a imunização e o controle da população canina. O objetivo geral do presente trabalho é descrever a cobertura vacinal contra a raiva animal no período 2012-2016 e os fatores de risco para raiva humana no município de Niterói, RJ. Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva desenvolvida com base em análise documental e dados secundários. Os resultados encontrados permitem concluir que há uma série de fatores condicionantes e determinantes que podem propiciar o aparecimento de casos de raiva animal e humana no município de Niterói. Dentre esses fatores pode-se destacar a cobertura vacinal animal frequentemente aquém da meta proposta pelo Ministério da Saúde; a existência de casos de atendimento antirrábico humano quando nem sempre há soro e vacina disponível para que se tomem as medidas preventivas preconizadas; um número considerável de reclamações da população em relação a morcegos, o que evidencia a proximidade que os morcegos vêm tendo com a população humana; a existência de grupos de primatas não humanos interagindo com a população humana e a reconhecida circulação do vírus da raiva em morcegos no município. Nesse contexto, acredita-se que esforços devem ser envidados pelo poder público no sentido de atuar sobre os referidos fatores de risco visando reverter a situação descrita, priorizar os pilares defendidos pela Organização Mundial de Saúde para o controle da raiva, que são a vigilância epidemiológica, a imunização e o controle da população animal, além de investir substancialmente em ações de educação em saúde que, de maneira transversal, vai atuar sinergicamente na desconstrução da situação de risco encontrada.

Palavras-chave: Raiva. Fatores epidemiológicos. Cobertura vacinal.


ABSTRACT 

Rabies is a viral anthropozoonosis that lead to a acute encephalitis, transmitted by mammals and with lethality rate around 100%.  A rabies control program should plan epidemiological surveillance, immunization and control of the canine population in that order of priorities. This work aims to describe the rabies vaccination coverage in the period from 2012 to 2016 and the risks for human rabies in the city of Niterói, RJ. This is a exploratory and descriptive research developed based on documental analysis and secondary data. We conclude that there are a number of conditioning and determining factors that may favor the appearance of animal and human rabies in the city of Niterói. Among these factors are animal vaccination coverage often below the goal proposed by the Ministry of Health; the existence human rabies cases when there are not enough serum and vaccine available for preventive measures to be taken; a considerable number of population complaints regarding bats, which shows the proximity that bats have to the human population; the existence of groups of nonhuman primates interacting with the human population and the recognized circulation of rabies virus in bats in the municipality. In this context, it is believed that every efforts should be made by the government to act on these risk factors in order to reverse the situation described, prioritize the pillars defended by the World Health Organization for the control of rabies, which are epidemiological surveillance, immunization and control of the animal population, as well as substantially investing in health education actions that will synergistically to deconstruct the risk situation described.

Keywords: Rabies. Epidemiological factors. Vaccination coverage. 


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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Fiocruz estuda melhorias na vacina para febre amarela





Em meio ao surto de febre amarela identificado no Brasil em 2017, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) entregou ao Ministério da Saúde mais de 64 milhões de doses contra a doença – a previsão inicial do Governo Federal era 25 milhões. Para este ano, conforme demanda do Programa Nacional de Imunizações, devem ser entregues 40 milhões de doses e, em 2019, mais 60 milhões. Para tanto, pesquisadores trabalham em sete linhas de melhorias consideradas estratégicas para aumentar a capacidade de produção do maior laboratório de saúde pública da América Latina.

A gerente do Programa de Vacinas Virais de Bio-Maguinhos, Elena Caride, explicou que tais melhorias advêm de recomendações de agências reguladoras e de insightsda própria área produtiva. Uma delas envolve a produção de frascos com somente duas doses contra a febre amarela. Atualmente, o laboratório produz apresentações com cinco e dez doses, mas o produto tem um período de estabilidade de seis horas e precisa ser descartado depois disso. A proposta reduziria o desperdício, sobretudo, em postos de saúde de regiões remotas, onde há pouca procura por vacinas.

“A gente tem uma expectativa de produzir esses lotes em escala industrial em dezembro deste ano e submeter à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março do ano que vem para análise e aprovação. O tempo da agência para aprovação pode levar até um ano, mas a gente sempre faz uma conversa, pedindo prioridade, ainda mais quando a questão envolve surtos. Até o final do ano que vem, se tudo correr bem, a gente já deve ter isso”, avaliou a pesquisadora.

Outro projeto prevê a retirada do antibiótico que atualmente integra a formulação da dose contra a febre amarela produzida por Bio-Manguinhos – sugestão advinda da própria Organização Mundial da Saúde (OMS) em meio a uma campanha para reduzir o uso desse tipo de medicação e combater a chamada resistência bacteriana.

Uma terceira melhoria envolve a redução, pela metade, do número de embriões utilizados na confecção da vacina – o que, virtualmente, dobraria a capacidade de produção das doses por parte do laboratório. A estratégia, entretanto, ainda precisa passar por um estudo de viabilidade e, em seguida, ser submetida à agência reguladora. O projeto também exige a ampliação da capacidade de processamento final da vacina, por meio da construção de uma nova unidade em Santa Cruz (RJ) e da utilização plena da planta em São Paulo, que hoje opera em baixa demanda.

“A gente criou esse projeto focando em uma etapa do processamento do insumo farmacêutico ativo, em que se vislumbra dobrar a capacidade com baixíssimo investimento ou praticamente nenhum. Na verdade, é uma otimização em uma das etapas. Vamos ter capacidade de duplicar a quantidade de insumo farmacêutico ativo produzido sem nenhum investimento. Pensando na saúde pública, fazer o dobro com o mesmo custo é exatamente o que a gente precisa neste momento”, disse a gestora do Laboratório de Febre Amarela de Bio-Manguinhos, Caroline Ramirez.


Fonte:  Fiocruz