quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Saiba o que é esquistossomose


Conhecida como doença do caramujo, barriga d'água e xistose, a doença pode evoluir para formas graves e levar à morte





Conhecida como uma doença prevalente em áreas tropicais e subtropicais, a esquistossomose afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Popularmente conhecida como barriga d'água, xistose ou doença do caramujo, a esquistossomose atinge principalmente comunidades carentes, sem acesso a água potável e sem o saneamento adequado. Se não for tratada adequadamente, a esquistossomose pode evoluir e provocar complicações graves, levando à morte.

De acordo com a coordenadora-geral substituta de Doenças em eliminação do Ministério da Saúde, Jeann Marie Marcelino, a esquistossomose está relacionada diretamente com certos hábitos de vida. “É uma doença relacionada com a falta de saneamento básico e uso da água doce para lazer ou para trabalho, como pescadores e mulheres que lavam louças na beira do rio”, esclarece.

A principal forma de ser infectado pelos vermes causadores da esquistossomose é entrando em contato com água doce com caramujos infectados. Quando uma pessoa entra em contato com essa água contaminada, as larvas penetram na pele e ela adquire a infecção.


Como acontece a transmissão

No Brasil, a doença parasitária é causada pelo verme Trematódeo Schistosoma Mansoni. Ele tem a espécie humana como hospedeiro definitivo e os caramujos de água doce, do gênero Biomphalaria, como hospedeiros intermediários.






Pessoas contaminadas podem liberar ovos do parasita em suas fezes. Quando estas são depositadas em rios, córregos e outros ambientes de água doce ou quando chegam até estes locais pelas enxurradas, pode acontecer a contaminação através da pele. O verme é capaz de penetrar na pele de pessoas que pisam descalças, nadam, tomam banho ou simplesmente lavam roupas e objetos na água infectada.




Marcelino explica que, no Brasil, a principal região com áreas de transmissão é o Nordeste. Mas outros estados, como Minas Gerais e o Espírito Santo, também possuem casos da doença. “Destacamos que os estados que possuem maior número de casos são Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe. Além deles, podemos destacar o Rio Grande do Norte, Paraíba, e Maranhão. Também existem pequenas áreas de transmissão no Ceará e no Pará. A indicação é que quando uma pessoa visite esses estados tenha muita atenção para o banho em águas doces com correnteza leve, pequenos rios e riachos”, alerta.


Sintomas da esquistossomose

Na fase aguda, o paciente infectado por esquistossomose pode apresentar diversos sintomas, como febre, dor de cabeça, calafrios, suores, fraqueza, falta de apetite, dor muscular, tosse e diarreia. Em alguns casos, o fígado e o baço podem inflamar e aumentar de tamanho.

Porém, a coordenadora explica que, na maioria dos casos, as pessoas infectadas não sentem sintomas da doença. “A maioria dos portadores do parasita não apresentam sinais da doença, são assintomáticos. É uma doença bastante silenciosa, o que a torna perigosa”, disse.

Quando os sintomas surgem, o tempo de aparecimento dos primeiros sinais é de duas a seis semanas, a partir da infecção. Além disso, a doença pode se tornar crônica. “Se a pessoa contraiu a doença e não teve tratamento durante muito tempo ou se ela vive em uma área endêmica e está sempre se reinfectando, ela pode desenvolver uma forma crônica da doença”, explica Marcelino.

Na forma crônica da doença, a diarreia se torna mais constante, alternando-se com prisão de ventre, e pode aparecer sangue nas fezes. Além disso, a pessoa pode ter outros sintomas, como tonturas, dor na cabeça, sensação de plenitude gástrica, coceira anal, palpitações, impotência, emagrecimento, endurecimento e aumento do fígado.

Nos casos mais graves, o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento, fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d’água.


Tratamento

Uma pessoa infectada terá ovos do parasita nos tecidos do corpo humano e a reação do organismo a eles pode causar grandes danos à saúde. Por isso, é importante que o tratamento seja iniciado o quanto antes.

O tratamento da esquistossomose, para os casos com menor gravidade, é simples, em dose única, na unidade de saúde, por meio de medicamentos específicos receitados pelo médico. Os casos graves geralmente requerem internação hospitalar e até mesmo tratamento cirúrgico, conforme cada situação.

O tratamento é oferecido de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de suspeita de infecção, procure a Unidade de Saúde mais próxima para os cuidados necessários.







terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Projeto Gugu da Praia de Piratininga recebe ação educativa sobre arboviroses





Na manhã desta terça-feira (29/01) integrantes do Projeto Gugu do Núcleo Praia de Piratininga receberam ação educativa em saúde sobre arboviroses promovida pelo Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC).

O objetivo foi sensibilizar sobre a importância de cada um fazer a sua parte no combate ao mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana.

O IEC, representado por Élcio Nascimento e Rita de Cássia Costa, desenvolveu bate papo interativo com distribuição de panfletos onde o grupo se reúne para fazer exercícios físicos habitualmente. Os agentes abordaram de modo sucinto os seguintes tópicos:  arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) e seus sintomas, principais medidas de prevenção, e combate aos possíveis criadouros do vetor.




Segundo a equipe, o público participou ativamente e demonstrou considerável interesse no tema. Todos estavam bem entendidos do assunto e afirmaram que cuidam de suas casas deixando-as livres de focos. No decorrer da atividade, uns atentaram aos outros sobre o problema do acúmulo de água em bromélias. 

“Tiramos dúvidas sobre a vacina da febre amarela e, após falarmos brevemente sobre as arboviroses, alertamos sobre o risco de epidemia de febre de chikungunya no município, destacando os cuidados que devem tomar por estarem inseridos na classificação de grupo de risco”, contou Élcio.





Projeto Gugu

O Projeto Gugu é um dos mais bem sucedidos programas de ginástica e incentivo à qualidade de vida voltados para idosos.

Idealizado e comandado pelo médico ortopedista e professor Carlos Augusto Bittencourt Silva (in memoriam), o Projeto Gugu começou em abril de 1995, na Praia de Icaraí, em Niterói. 

Os núcleos foram surgindo, e o mais interessante é que se propunha simplesmente fazer exercícios físicos, e agora reintegra o idoso à sociedade, melhorando-o sob o aspecto físico, psíquico e social. (Fonte:  http://www.funcab.org/gugu.php)



segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

SITUAÇÃO PÓS-ADOÇÃO DOS ANIMAIS ADOTADOS JUNTO A UMA ONG DE PROTEÇÃO ANIMAL NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO




SITUAÇÃO PÓS-ADOÇÃO DOS ANIMAIS ADOTADOS JUNTO A UMA ONG DE PROTEÇÃO ANIMAL NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


THE CURRENT SITUATION OF PETS ADOPTED FROM AN ANIMAL PROTECTION NGO IN THE STATE OF RIO DE JANEIRO


Flavio Fernando Batista Moutinho1* ORCID - http://orcid.org/0000-0003-2172-8132
Cathia Maria Barrientos Serra1 ORCID - http://orcid.org/0000-0002-6748-544X
Luiza Carneiro Mareti Valente1 ORCID - http://orcid.org/0000-0001-8131-632X

1Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil.
*Autor para correspondência – flaviomoutinho@id.uff.br


Resumo
Este trabalho objetivou analisar a situação dos animais adotados junto a uma ONG fluminense. Foi selecionada uma amostra de conveniência de 50 animais e os adotantes responderam a questionário cujos dados obtidos foram analisados com técnicas de estatística descritiva. De modo geral os adotantes eram casados, sexo feminino, idade variável, nível superior, renda alta, não se guiaram pela raça dos animais e adotaram principalmente mais jovens. As adoções não se deram em função da interação dos animais com idosos e crianças, os adotantes já dispunham de outro animal, os adotados passaram a residir em imóveis residenciais e o principal motivo para a adoção foi a pena. Princípios de guarda responsável eram seguidos, com alta proporção de animais castrados, predomínio de alimentação com ração, boa cobertura vacinal e desverminação periódica. Como pontos negativos temos o predomínio de animais com acesso livre às ruas, deficiência no acompanhamento veterinário e ausência de dispositivo de identificação. Houve grande vínculo dos adotantes com os animais, com alto índice de permanência, pouca dificuldade na lida e alto grau de satisfação. Esse quadro demonstra que a estratégia da adoção foi eficiente e pode trazer bons resultados no controle da densidade populacional de animais, especialmente se aliada a outras estratégias.
Palavras-chave: animal não domiciliado, adoção, controle populacional.


Abstract
This essay aims at analyzing the situation of pets after adoption from an NGO in the State of Rio de Janeiro. A sample of 50 pets was selected, and adopters answered a questionnaire whose data was analyzed by using descriptive statistical techniques. In general, adopters were comprised of married women of different ages, with university degree and high income. They were not lead by the pets’ breed and adopted particularly the youngest ones. Adoptions did not take place aiming an interaction between pets and the elderly or children. Adopters already had another pet, and the adopted pets started to live at residential properties. We realized that compassion was the key reason for adoption. Responsible guardianship principles were followed and a high percentage of pets had been neutered. They were feed predominantly with pet food. Good vaccination and frequent deworming practices were in place. As prevailing negative aspects we noticed that animals had free access to the streets, did not receive adequate veterinary care and were not wearing identification tags. Adopters were very attached to their pets. There was a high rate of stay, little difficulty in dealing with the pets and high satisfaction level. This scenario shows us that the adoption strategy has been effective and may bring good results to the control of animal population density, especially if combined with other strategies.
Keywords: stray animal, adoption, population control.

Recebido em: 19 de outubro de 2016
Aceito em: 23 de outubro de 2018


Leia o artigo completo, acesse o link:

Arboviroses é tema de sala de espera na Policlínica Sérgio Arouca




Na última quinta-feira (24/01) o Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – realizou atividade de sala de espera sobre o tema Arboviroses na Policlínica Regional Sérgio Arouca, em Santa Rosa.

O objetivo foi alertar sobre os perigos à saúde causados pelas arboviroses e a importância da prevenção, destacando as doenças dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana.

A equipe do IEC desenvolveu bate-papo interativo, informando e orientando as pessoas que aguardavam atendimento sobre quais medidas são necessárias para se evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti (principal transmissor dos vírus causadores dessas arboviroses no país) no ambiente domiciliar e demais de convívio.  Os usuários dos serviços também receberam panfletos e revistinhas educativas.

Equipe do IEC:  Adriana Heizer, Daniele Caviare, Leila Neves e Lílian Barcellos.






quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

CCZ realiza ação educativa no Projeto Gugu do Engenho do Mato




Nesta quarta-feira (23/01) o Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – realizou ação educativa em saúde para integrantes do Projeto Gugu do Núcleo do Engenho do Mato. 

O objetivo foi sensibilizar sobre a importância de cada um fazer a sua parte no combate ao mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana.

A equipe, formada por Élcio Nascimento e Rita de Cássia Costa, desenvolveu bate papo interativo com distribuição de panfletos na Praça Irene Lopez Sodré, onde o grupo se reúne para fazer exercícios físicos habitualmente. 

Os agentes abordaram de modo sucinto os seguintes tópicos: arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya e febre amarela), sintomas, principais medidas de prevenção e combate aos possíveis criadouros do vetor.

“O grupo estava muito animado, interagiu bastante e ficou alarmado com as informações recebidas, principalmente em relação à febre chikungunya e a possibilidade desta doença se tornar crônica.  O organizador do grupo Sr. Aymoré agradeceu a nossa visita e se comprometeu a transmitir as orientações para que, dessa forma, todos tenham um verão livre destas arboviroses”, contou Élcio.


Projeto Gugu

O Projeto Gugu é um dos mais bem sucedidos programas de ginástica e incentivo à qualidade de vida voltados para idosos.

Idealizado e comandado pelo médico ortopedista e professor Carlos Augusto Bittencourt Silva (in memoriam), o Projeto Gugu começou em abril de 1995, na Praia de Icaraí, em Niterói. 

Os núcleos foram surgindo, e o mais interessante é que se propunha simplesmente fazer exercícios físicos, e agora reintegra o idoso à sociedade, melhorando-o sob o aspecto físico, psíquico e social. (Fonte:  http://www.funcab.org/gugu.php)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Projeto Gugu do Badu recebe ação educativa sobre arboviroses e roedores





Na manhã da última quinta-feira (17/01) integrantes do Projeto Gugu do Núcleo Badu receberam ação educativa em saúde sobre arboviroses e roedores promovida pelo Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC).

O objetivo foi sensibilizar sobre a importância de cada um fazer a sua parte no combate ao mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue, chikungunya e zika – e aos roedores urbanos (ratos e camundongos) – que disseminam, entre outras doenças, a leptospirose.

A agente Patrícia de Oliveira desenvolveu bate papo interativo com distribuição de panfletos na praça do bairro onde o grupo se reúne para fazer exercícios físicos habitualmente. Abordou de modo sucinto os seguintes tópicos:  roedores – espécies de roedores urbanos, problemas causados por esses vetores, a leptospirose, e prevenção; arboviroses – arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) e seus sintomas, principais medidas de prevenção, e combate aos possíveis criadouros do vetor.

“O público, composto na sua maioria por senhoras, demonstrou considerável interesse no assunto. Algumas denunciaram casas com focos em suas comunidades. Ressaltei a importância de se manter o quintal limpo e organizado, contribuindo assim para evitar possível infestação de mosquitos e roedores. Na oportunidade, falei também sobre pombos e escorpiões. A professora e o coordenador do núcleo apoiaram a iniciativa”, destacou Patrícia.





Projeto Gugu

O Projeto Gugu é um dos mais bem sucedidos programas de ginástica e incentivo à qualidade de vida voltados para idosos.

Idealizado e comandado pelo médico ortopedista e professor Carlos Augusto Bittencourt Silva (in memoriam), o Projeto Gugu começou em abril de 1995, na Praia de Icaraí, em Niterói. 

Os núcleos foram surgindo, e o mais interessante é que se propunha simplesmente fazer exercícios físicos, e agora reintegra o idoso à sociedade, melhorando-o sob o aspecto físico, psíquico e social. (Fonte:  http://www.funcab.org/gugu.php)



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Educação em Saúde realiza sala de espera no PMF Cantagalo





Na última quarta-feira (16/01), o setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – do Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) – realizou atividade de sala de espera no Médico de Família Eva Ramos, em Cantagalo.  

O objetivo foi alertar os usuários sobre os perigos à saúde causados pelo mosquito Aedes aegypti e animais sinantrópicos como roedores (ratos e camundongos) e pombos, destacando a importância da prevenção.

A equipe do IEC, representada pela agente Patrícia de Oliveira, desenvolveu a atividade por meio de bate papo interativo e distribuição de panfletos, e abordou os seguintes tópicos:  roedores – espécies de roedores urbanos, problemas causados por esses vetores, a leptospirose, e prevenção; arboviroses – arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) e seus sintomas, principais medidas de prevenção, e combate aos possíveis criadouros do vetor; pombos - biologia dos pombos, os fatores que favorecem sua presença, quais as principais doenças causadas e como deve ser feito o controle efetivo desses animais.

“Apresentamos nosso trabalho junto aos agentes comunitários de saúde e com total apoio das enfermeiras. Passamos dicas valiosas de como enfrentar esse período de forte calor sem a presença de animais [mosquito, roedores e pombos]. Algumas pessoas relataram sobre a presença constante de baratas e lacraias em suas residências. Orientamos quanto à pratica diária de manter quintais limpos e organizados, livres de criadouros, lixo e entulhos, impedindo assim a permanência desses vetores. Ao final, alguns usuários perguntaram a respeito de soluções para situações específicas. Divulgamos o telefone do Disque Dengue Niterói”, contou Patrícia.






sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

CCZ realiza ação educativa sobre mosquitos e roedores no CCF Badu




O Centro de Controle de Zoonoses – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – realizou nesta segunda-feira (14/01) ação educativa sobre mosquitos e roedores na Clínica Comunitária da Família do Badu.  

A agente Patrícia de Oliveira desenvolveu a atividade por meio de bate papo interativo, e abordou os seguintes tópicos:  arboviroses – sintomas, a importância da vacinação contra a febre amarela, características do mosquito Aedes aegypti, principais medidas de prevenção e combate aos possíveis criadouros do vetor; roedores – espécies de roedores urbanos, problemas causados por ratos e camundongos, a leptospirose, e prevenção.

O objetivo foi alertar os integrantes do grupo de hiperdia, coordenado pela enfermeira Katia Trigueiro, acerca dos perigos à saúde causados pelas arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) e sensibilizá-los quanto à importância da adoção de medidas preventivas contra os roedores urbanos no ambiente domiciliar e de convívio. 

“Apresentei dicas de como manter casas e quintais livres de mosquitos e roedores nesse período de férias e muito calor. O grupo demonstrou interesse e apontou algumas dificuldades na comunidade Sitio de Ferro, como prática de alguns moradores de não oferecer um destino correto para o lixo e excesso de animais em condições precárias de higiene. Orientamos quanto à denúncia e auxílio do CCF”, relatou Patrícia.



terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Picada de escorpião: saiba os cuidados e o que fazer em caso de acidente


O verão é o período de maior risco para aparecimento do animal. Limpeza do ambiente e adoção de medidas simples podem prevenir picadas





Os animais peçonhentos, como os escorpiões, aranhas e lagartas, estão cada vez mais presentes no meio urbano, adaptados ao ambiente do homem devido ao crescimento acelerado dos grandes centros. Por isso, é preciso que toda a população, inclusive das grandes cidades, saiba quais medidas adotar para evitar acidentes e mortes por envenenamento.

O período do verão, de dezembro a março, exige maior cuidado em relação aos acidentes com escorpiões, pois o clima úmido e quente é ideal para o aparecimento destes animais, que se abrigam em esgotos e entulhos. Os escorpiões que habitam o meio urbano se alimentam principalmente de baratas, portanto são comuns também em locais próximos a áreas com acúmulo de lixo. A adoção de hábitos simples é fundamental para prevenir acidentes.

No ambiente urbano, para evitar a entrada dos escorpiões nas casas e apartamentos, a recomendação é de usar telas em ralos de chão, pias e tanques, além de vedar as frestas nas paredes e colocar soleiras nas portas. Outra medida é afastar as camas e berços das paredes, e ainda vistoriar as roupas e calçados antes de usá-los.

Nas áreas externas, as principais dicas são manter jardins e quintais livres de entulhos, folhas secas e lixo doméstico. Também é importante manter todo o lixo da residência em sacos plásticos bem fechados para evitar baratas, que servem de alimento e, portanto, atraem os escorpiões. Nas casas que possuem gramado, ele deve ser mantido aparado. Outra recomendação é não colocar a mão em buracos, embaixo de pedras ou em troncos apodrecidos e usar luvas e botas de raspas de couro para realizar atividades que representem certo risco, como manusear entulhos e materiais de construção, e nas atividades de jardinagem.

Nas áreas rurais, além de todas essas medidas, é essencial preservar os inimigos naturais dos escorpiões, como lagartos, sapos e as aves de hábitos noturnos, como a coruja. Estes são os principais predadores dos escorpiões.

O Ministério da Saúde não recomenda a utilização de produtos químicos (pesticidas) para o controle de escorpiões. Estes produtos, além de não possuírem, até o momento, eficácia comprovada para o controle do animal em ambiente urbano, podem fazer com que eles deixem seus esconderijos, aumentando a chance de acidentes.

Saiba quais são as espécies de escorpiões mais comuns nas regiões brasileiras:








POPULAÇÕES MAIS EXPOSTAS

Os grupos considerados mais vulneráveis são os trabalhadores da construção civil, crianças e pessoas que permanecem maiores períodos dentro de casa ou nos arredores e quintais. Ainda nas áreas urbanas, estão sujeitos os trabalhadores de madeireiras, transportadoras e distribuidoras de hortifrutigranjeiros, por manusearem objetos e alimentos onde os escorpiões podem estar alojados.

A grande maioria dos acidentes com escorpiões é leve e o quadro local tem início rápido e duração limitada. Os acidentados apresentam dor imediata, vermelhidão e inchaço leve por acúmulo de líquido, piloereção (pelos em pé) e sudorese (suor) localizadas, cujo tratamento é sintomático.

As crianças abaixo de sete anos apresentam maior risco de apresentar sintomas longe do local da picada, como vômito e diarreia, principalmente nas picadas por escorpião-amarelo, que podem levar a casos graves e requerem a aplicação do soro em tempo adequado.


O QUE FAZER EM CASO DE ACIDENTE?

A recomendação é ir imediatamente ao hospital de referência mais próximo. Se possível, levar o animal ou uma foto para identificação da espécie, permitindo assim uma avaliação mais eficaz sobre a gravidade do acidente.


É importante lembrar que não é em todo caso de acidente que o soro será indicado, e apenas o profissional de saúde poderá fazer essa avaliação. O antiveneno é indicado em casos moderados ou graves. Limpar o local da picada com água e sabão pode ser uma medida auxiliar, desde que não atrase a ida ao serviço de saúde.

Assista ao vídeo 


ONDE ENCONTRAR O SORO

Os casos leves, que não necessitam da aplicação do antiveneno, representam cerca de 87% do total de acidentes. Desta forma, o soro antiescorpiônico é disponibilizado apenas nos hospitais de referência do Sistema Único de Saúde (SUS). As ampolas são enviadas pela pasta aos estados, que são responsáveis pela distribuição aos municípios e pela definição estratégica das unidades de referência para o atendimento destes casos. Essa logística deve ser feita de acordo com a situação epidemiológica de cada região e os estados possuem também autonomia para remanejar o soro de uma cidade para outra quando necessário. Os soros também não são disponibilizados na rede particular de saúde.


CASOS E AÇÕES DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES

No Brasil, a espécie de escorpião que causa mais acidentes, Tityus serrulatus, tem se expandido para um número maior de cidades, onde até então não era encontrada. Esta espécie possui facilidade para se reproduzir e colonizar novos ambientes.

Os acidentes escorpiônicos ocorrem em todo o Brasil. Desde 2009, o Ministério da Saúde realiza capacitações de identificação, manejo e controle de escorpiões nos estados brasileiros, em cooperação com as secretarias estaduais de saúde. O objetivo é que cada estado multiplique as informações recebidas a todas as suas regionais de saúde e municípios.

O Ministério da Saúde registrou, em 2018, 141,4 mil casos de acidentes com escorpiões em todo o país. Em 2017, foram 125 mil registros de acidentes. Esses dados ainda são preliminares e serão revisados, portanto estão sujeitos a alteração. Em 2016, foram 91,7 mil casos. Em relação às mortes, em 2016 foram registrados 115 óbitos em todo o país e, em 2017, 88.




segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Vital Brazil recebe mutirão contra mosquito Aedes aegypti





A Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Niterói realizou neste sábado (12/01) mutirão de combate ao mosquito Aedes aegypti, causador da dengue, zika e chikungunya no bairro Vital Brazil, Zona Sul da cidade. Na ação, foram vistoriados 468 imóveis.

Cerca de 30 agentes percorreram as ruas e canteiros vistoriando possíveis focos do mosquito e orientando a população com distribuição de material informativo. A equipe também realizou desratização, quando necessário.

A dona de casa Iracema Rodrigues recebeu os agentes em sua casa e agradeceu pelo trabalho.

“Acho muito importante esse tipo de ação e agradeço. Temos que fazer nossa parte também para combater o mosquito”, contou.

Segundo o chefe do CCZ, Francisco de Faria Neto, o índice de criadouros de mosquito na cidade está controlado e dentro do padrão instituído pelo Ministério da Saúde. No entanto, no verão, a atenção tem que ser redobrada.

“A melhor forma de prevenir essas doenças é a eliminação do vetor, ou seja, combater os criadouros do Aedes que coloca seus ovos em recipientes com água parada, como garrafas, sacos plásticos e pneus velhos”, explica Francisco, recomendando que as pessoas tirem um dia da semana para verificar a presença de focos em suas casas.


Ação diária – Além dos mutirões, as equipes do CCZ realizam trabalho intenso de rotina de prevenção e combate ao mosquito em Niterói. Agentes vistoriam diariamente imóveis em todas as regiões do município, combatendo focos do inseto e orientando a população. Profissionais do Programa Médico de Família também atuam em parceria com o CCZ nas suas áreas de cobertura. Niterói também possui Comitês Regionais de Combate à Dengue, organizados pelas Policlínicas Regionais, com ações elaboradas de acordo com as características de cada comunidade.


Fonte:  Prefeitura de Niterói

Doença de Chagas: uma nova realidade de enfrentamento





Por muito tempo, a possibilidade de receber uma picada do inseto conhecido como barbeiro e adquirir a Doença de Chagas preocupava a população brasileira. Durante as aulas de ciências, aprendíamos todo o ciclo da doença: o inseto barbeiro infectado picava a pele de uma pessoa e depositava suas fezes na região; ao coçar o local, as fezes contaminadas caiam na corrente sanguínea; e, assim, era transmitida a doença de chagas.

Mas essa realidade mudou. Ações realizadas no controle de vetores ajudaram o Brasil a receber, em 2006, a certificação internacional da interrupção da transmissão vetorial da doença pela principal espécie do inseto, o Triatoma infestans.

Atualmente, a doença é transmitida principalmente pelo contato do ser humano com o ciclo silvestre do inseto, como picadas que acontecem nas zonas de mata e a transmissão oral pela ingestão de alimentos contaminados, explica o coordenador-geral de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Renato Vieira Alves.

“A forma tradicional de transmissão, com o barbeiro colonizando e infestando residências, foi controlada no Brasil. Atualmente, os casos novos registrados acontecem principalmente na região norte do país. Mesmo nesses casos, a transmissão não costuma acontecer nos domicílios, mas na mata. Nessa nova realidade, a transmissão da doença de chagas acontece principalmente pela alimentação, quando em algum momento da produção do alimento existe a contaminação do alimento pelo conteúdo do estômago do inseto”, esclarece Alves.

Entre 2008 a 2017, a maioria dos estados brasileiros registraram casos confirmados de doença de chagas. Entretanto, a maior distribuição, cerca de 95%, concentra-se na região Norte. Destes, o estado do Pará é responsável por 83% dos casos


Consumo de alimentos é a principal forma de transmissão


Em relação às principais formas prováveis de transmissão ocorridas atualmente no país, 72% foram por transmissão oral, 9% por transmissão vetorial e 18% não identificada. “A contaminação alimentar acontece principalmente por caldo de cana, açaí e outros alimentos que são consumidos in natura, sem processo de cozimento”, destaca o coordenador.

De acordo com Alves, os cuidados que devem ser tomados com a doença de Chagas são praticamente os mesmos para qualquer doença transmitida por alimentos. “Por exemplo, ao consumir alimentos desse tipo, procurar por lugares com boa condição de higiene e inspecionados pela vigilância sanitária. Preparando em casa, é importante ter todos os cuidados de higienizar, lavar bem e também, possivelmente, escaldar os frutos antes do consumo. Qualquer tratamento térmico com cozimento acima de 45ºC elimina o perigo de transmissão da doença”, orienta. Por outro lado, o resfriamento ou congelamento de alimentos não previne a transmissão oral da infecção.

Quanto à transmissão vetorial, a recomendação do Ministério da Saúde é adotar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, etc.) durante a realização de atividades noturnas (caçadas, pesca ou pernoite) em áreas de mata ou barreiras físicas nas casas, com telas nas janelas e portas, para evitar a invasão eventual dos vetores.

O que é a Doença de Chagas?


A doença de Chagas (tripanossomíase americana) é uma condição infecciosa aguda e crônica causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, parasita encontrado em fezes de insetos. Estima-se que existam aproximadamente 12 milhões de portadores da doença crônica nas Américas, e que haja no Brasil, atualmente, pelo menos um milhão de pessoas infectadas. A transmissão da doença de Chagas pode ocorrer de diferentes formas:
  • Contato com fezes/e ou urina de triatomíneos (insetos popularmente conhecidos como barbeiro), por via direta (vetorial); 
  • Ingestão de alimentos contaminados com parasitos; 
  • Via materno-fetal; 
  • Transfusão de sangue ou transplante de órgãos; 
  • Acidentes laboratoriais, pelo contato da pele ferida ou de mucosas com material contaminado.

O período de incubação da Doença de Chagas, ou seja, o tempo que os sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é dividido da seguinte forma:
  • Transmissão vetorial – de 4 a 15 dias.
  • Transmissão transfusional/transplante – de 30 a 40 dias ou mais.
  • Transmissão oral – de 3 a 22 dias.
  • Transmissão acidental – até, aproximadamente, 20 dias.

A Doença de Chagas pode apresentar sintomas distintos nas duas fases que se apresenta, que são a aguda, na fase inicial e a crônica, quando os sintomas inicias desaparecem sem tratamento e retornam posteriormente. A fase aguda, que é a mais leve, a pessoa pode apresentar sinais moderados ou até mesmo não sentir nada.

Na fase aguda, os principais sintomas são:
  • febre prolongada (mais de 7 dias);
  • dor de cabeça;
  • fraqueza intensa;
  • inchaço no rosto e pernas.

Na fase crônica, a maioria dos casos não apresenta sintomas, porém de 30 a 40% das pessoas podem apresentar, depois de vários anos sem nenhum sinal clínico, formas sintomáticas e potencialmente graves:
  • problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca;
  • problemas digestivos, como megacolon e megaesôfago.

A Doença de Chagas tem cura e quanto antes for realizado o tratamento melhor. Todo caso diagnosticado deve ter acompanhamento médico e, quando indicado, deve ser tratado com medicação específica, disponível, gratuitamente, no SUS.






quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Combate ao Aedes: vistorie sua casa antes de viajar


Medida é essencial para evitar possíveis focos de criadouros do mosquito




Durante as férias muitas famílias aproveitam o tempo livre para viajar e passar um tempo fora de casa. Porém, focados no destino, não podemos esquecer que o Aedes aegypti continua na ativa, procurando recipientes com água para se reproduzir.

Para evitar que o mosquito se prolifere na sua casa enquanto estiver fechada, é importante que sejam tomadas algumas providências antes de iniciar a viagem. 


Como fazer uma vistoria em casa antes de viajar:

No ambiente externo:
- Procure descartar todos os objetos que possam acumular água, inclusive os menores como folhas secas e tampinhas de garrafas. 
- Verifique se as caixas d’agua estão limpas e bem fechadas. 
- Remova galhos e folhas de calhas. 
- Encha pratinhos de vasos com areia até a borda. 
- Tampe todos os ralos externos. 
- Descarte todo o lixo antes de viajar. 
- Mantenha piscinas devidamente tratadas e tampadas.

No ambiente interno:
- Verifique todos os pontos de água para ter certeza que não existe nada entupido e que possa acumular água durante a viagem. 
- Tampe todos os ralos e vasos sanitários da casa. 
- Não deixe nenhum recipiente com água antes de sair de viagem, como copos, garrafas, bebedouros de animais sem uso, entre outros.








Arboviroses e roedores são temas de palestra promovida pelo CCZ na Policlínica do Largo da Batalha




Nesta segunda-feira (07/01) o Centro de Controle de Zoonoses – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – realizou palestra sobre arboviroses e roedores na Policlínica Regional do Largo da Batalha. 

A ação educativa em saúde foi desenvolvida pela agente Patrícia de Oliveira por meio de bate papo interativo, e abordou os seguintes tópicos:  arboviroses – sintomas, a importância da vacinação contra a febre amarela, a desmistificação da questão equivocada da relação dos macacos com a transmissão direta da febre amarela em humanos, características dos mosquitos transmissores, principais medidas de prevenção e combate aos possíveis criadouros do vetor comum (Aedes aegypti); roedores – espécies de roedores urbanos, problemas causados por esses vetores, a leptospirose, e prevenção.

O objetivo foi alertar os integrantes do grupo de hiperdia, coordenado pela assistente social Teresita Medina, acerca dos perigos à saúde causados pelas arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) e sensibilizá-los quanto à importância da adoção de medidas preventivas contra os roedores urbanos no ambiente domiciliar e de convívio. 

“Diante do aumento da infestação de roedores no mundo, como já comprovado em algumas pesquisas, por conta do destino incorreto do lixo urbano, e a possibilidade de uma grande epidemia da Chikungunya neste verão, apresentei essas informações e reforcei a importância da prevenção na diminuição considerável de infestação de mosquitos e ratos”, destacou Patrícia.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Identificado mais um barbeiro que pode transmitir doença de Chagas


Barbeiros da espécie “Rhodnius montenegrensis” infectados com “Trypanosoma cruzi” foram encontrados em Monte Negro, Rondônia


A descoberta é importante porque trata-se de uma nova espécie onde o T. cruzi foi encontrado e
ela apresenta potencial para transmissão da doença – Foto: Adriana Benatti Bilheiro


Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP identificaram, pela primeira vez, o protozoário causador da doença de Chagas (Trypanosoma cruzi) em barbeiros da espécie Rhodnius montenegrensis, coletados na cidade de Monte Negro, em Rondônia. Os cientistas também encontraram barbeiros infectados com o Trypanosoma rangeli, que não causa a doença, mas que pode confundir o diagnóstico.

A descoberta gerou o artigo First Report of Natural Infection with Trypanosoma cruzi in Rhodnius montenegrensis (Hemiptera, Reduviidae, Triatominae) in Western Amazon, Brazil, publicado em julho na revista Vector-Borne and Zoonotic Diseases.

Estudos com a população moradora dos locais próximos onde os barbeiros foram encontrados indicam inexistência de transmissão da doença. Entretanto, apenas a presença do inseto perto dos domicílios já serve de alerta, pois representa um risco para a população. Segundo revisão sistemática publicada em 2014, estima-se que o número de casos de doença de Chagas no Brasil, atualmente, gire em torno de 4,6 milhões de pessoas.

O estudo foi realizado pela pesquisadora Adriana Benatti Bilheiro, da Universidade Federal de São João del-Rey, sob a orientação do professor Luís Marcelo Aranha Camargo, coordenador do ICB5, núcleo avançado da USP na cidade de Monte Negro que realiza pesquisas científicas e atividades de ensino, além de projetos da área da saúde com a comunidade local e da região.


Em Monte Negro, Rondônia, os barbeiros foram encontrados vivendo dentro de 
palmeiras, principalmente babaçu e bacuri, onde encontram abrigo, e se alimentam 
de sangue de ratos, aves, gambás e outros marsupiais – Foto: Adriana Benatti Bilheiro

A espécie Rhodnius montenegrensis foi descrita em 2012 pelo pesquisador João Aristeu da Rosa, docente do campus de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a partir de uma pesquisa de campo de coleta de barbeiros coordenada por Aranha Camargo.
“Essa descoberta é bem importante porque é uma espécie nova onde encontramos o T. cruzi e ela apresenta potencial para transmissão. Só acreditamos que ainda não está havendo porque o ambiente da casa amazônica é inóspito para o barbeiro”, explica o coordenador do ICB5.


Estratégia pode resultar em tratamento mais eficiente para Chagas


Segundo Aranha Camargo, o perfil de infecção pelo T. cruzi mudou ao longo dos anos. Antes, os Estados do Nordeste, além de São Paulo e Minas Gerais, concentravam os casos de Chagas no Brasil, com transmissão da doença através da urina e fezes do barbeiro, que abriga os parasitas e que, por sua vez, penetram pela pele no local da picada. As casas de pau a pique (barro), muito comum nesses locais, eram o hábitat perfeito para o barbeiro: temperatura adequada e espaços nas paredes onde podiam se esconder e se reproduzir, saindo à noite para se alimentar de sangue humano.

“Nos últimos dez anos, a ocorrência de casos de doença de Chagas desviou do eixo Sudeste-Nordeste para a região Norte, onde temos entre 30% a 40% dos casos brasileiros, totalizando mil casos novos notificados somente na região nos últimos dez anos”, informa Aranha Camargo. Em Monte Negro, a maioria das casas é de tábua com cobertura de telhas de amianto, o que deixa o local muito quente e sem “esconderijos” para o barbeiro.


Contaminação alimentar

Atualmente a transmissão é muito menos por via vetorial, ou seja, pelas fezes e urina do barbeiro no local da picada, e muito mais por contaminação de alimentos. O barbeiro é atraído pela luz da casa e pode cair dentro do alimento e ser triturado ou esmagado. Nesse tipo de contaminação, a doença se manifesta de uma forma mais severa, mais virulenta, por causa da forma de apresentação do parasita para o sistema imune humano. “No Estado do Pará, devido ao hábito de consumo de açaí in natura, em que a polpa e as sementes precisam ser trituradas, a contaminação via oral é muito comum”, conta.


Descoberta molécula que age na inflamação cardíaca no mal de Chagas

Em Monte Negro, os barbeiros foram encontrados vivendo dentro de palmeiras, principalmente babaçu e bacuri, onde encontram abrigo, e se alimentam de sangue de ratos, aves, gambás e outros marsupiais. Futuramente, eles podem migrar para o peridomicílio humano e começar a se alimentar de cachorros, porcos e galinhas. No caso do babaçu, o desmatamento e as queimadas favorecem a sua proliferação.

Aranha Camargo conta que foram encontrados, em média, cerca de cinco barbeiros por palmeira. Quanto mais perto das casas, maior era a quantidade desses insetos. “Independentemente de se domiciliar ou não, ele ainda representa um risco de transmissão de T. cruzi pela via oral, pois pode contaminar os alimentos que estão sendo preparados”, alerta.


A doença de Chagas

A doença de Chagas tem duas fases. A aguda ocorre entre uma semana e 15 dias após a infecção e pode ser confundida com um doença febril, malária, dengue ou gripe. O local onde o parasita depositou as fezes e a urina fica inchado e avermelhado (chagoma). Nesta fase aguda, muitas pessoas podem morrer por meningoencefalite (um tipo de meningite) e miocardite (inflamação aguda do coração que pode causar parada cardíaca e arritmia cardíaca).

“Não se faz diagnóstico nesta fase”, lamenta Aranha Camargo. “Seria fácil fazer o diagnóstico assim como fazemos para a malária”, explica, lembrando que o ICB5, por ser uma unidade de pesquisa da USP, faz o diagnóstico para Chagas, porém o mesmo não ocorre rotineiramente no SUS.

Depois dessa primeira fase aguda, a doença entra em sua forma silenciosa. O parasita se reproduz nas células musculares cardíacas e do tubo digestivo. Ele se multiplica e forma outras “ninhadas” de tripanossomatídeos.

De modo geral, 30% dos infectados não apresentam sintomas e morrem com Chagas mas sem manifestação clínica da doença.

Outros 30%, aproximadamente, apresentam manifestações gastrointestinais. As mais clássicas são dificuldade de engolir, deglutir alimentos e eliminar fezes. Ao se desenvolver em células nervosas do tubo digestivo, o parasita as destrói, o que leva à perda da motilidade desse sistema (que empurra o bolo alimentar da boca ao ânus). O esôfago pode perder o movimento que empurra o alimento e muitas pessoas morrem de desnutrição. Outras têm a paralisação do sistema do tubo digestivo na parte terminal e não conseguem eliminar as fezes, ficando semanas sem evacuar. Nesses casos, pode ser necessário intervenção cirúrgica.


Na próxima fase, os pesquisadores pretendem ampliar o estudo e verificar
a ocorrência de barbeiros nos quatro biomas existentes em Rondônia
 – Foto: Adriana Benatti Bilheiro


Os outros cerca de 30% desenvolvem as formas cardíacas da doença. O parasita se multiplica no coração e vai destruindo as fibras do órgão, que deveria ser elástico, mas vai ficando fibrosado (cicatrizado) e perdendo a capacidade de contração. Dependendo do local onde o parasita se alojou, ele pode também interromper a condição de estímulos elétricos do sistema elétrico do órgão, dando origem a arritmias ou insuficiência cardíaca – ou ambas.

Em poucos casos, cerca de 10%, a doença se manifesta tanto na sua forma cardíaca como na digestiva.

O tratamento é feito com benzonidazol, distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com certa regularidade. O medicamento é capaz de curar a doença de Chagas, pois mata o parasita e interrompe sua multiplicação.

Quanto mais precoce o tratamento, maiores as chances de cura sem evolução de gravidade da doença. O diagnóstico não costuma ser rápido. Em Monte Negro, por exemplo, o setor público está treinado para realizar testes de detecção de malária, mas não para o Trypanosoma cruzi.

“Minha sugestão é o governo qualificar os mesmos microscopistas que fazem diagnóstico de malária para que sejam treinados para identificar o T. cruzi”, sugere o docente.


Análise dos biomas

Na próxima fase, os pesquisadores pretendem ampliar o estudo e verificar a ocorrência de barbeiros nos quatro biomas existentes em Rondônia: cerrado, área entrópica (pastos onde há muito babaçu), floresta amazônica e floresta fluvial (beira de rio).

Segundo os pesquisadores, “no Estado de Rondônia, não há registro de casos autóctones de Chagas nos últimos anos. Entretanto, há registro de seis espécies de triatomíneos (barbeiros), uma grande variedade de reservatórios silvestres do T. cruzi e intenso processo de desmatamento que pode, ao longo do tempo, induzir à invasão e colonização de triatomíneos em áreas domiciliares e peridomiciliares”.


Foram encontrados, em média, cerca de cinco barbeiros por palmeira.
Quanto mais perto das casas, maior era a quantidade de insetos encontrada
 – Foto: Adriana Benatti Bilheiro


O ICB5 é um departamento do Instituto de Ciências Biomédicas da USP criado em 1997, na cidade de Monte Negro, em Rondônia. A princípio, o objetivo era pesquisar doenças tropicais negligenciadas como malária, Chagas, leishmaniose, verminoses e micoses profundas. Atualmente dedica-se também ao estudo e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão, diabete e dislipidemias (gordura no sangue). Além de desenvolver estudos nessas áreas e realizar atendimento em saúde para a população de Monte Negro e região, o ICB5 oferece um cenário de internato e um programa de estágios.



Fonte:  ICB/USP