sábado, 29 de dezembro de 2018

Como o aquecimento global pode multiplicar a população de ratos


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Chicago, uma cidade americana associada a muitos símbolos, incluindo a música e os esportes, é hoje conhecida como a "capital dos ratos" dos Estados Unidos.

Na Indonésia, estima-se que as perdas anuais de colheitas de arroz decorrentes de danos causados por roedores estão na ordem de 17%.

Se isto é uma guerra, então os humanos estão perdendo. E as coisas estão fadadas a piorar: cientistas alertam que a urbanização crescente e o aquecimento global provocarão aumento nas populações de roedores em todo o mundo.


Urbanização: mais prédios para humanos... e para ratos também



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Ratos espalham doenças, comprometem a segurança alimentar e causam estragos em estruturas criadas pelo homem. Um estudo da Universidade de Cornell, por exemplo, estima que estes animais causam prejuízos de US$ 19 bilhões (cerca de R$ 74 bilhões) todos os anos nos Estados Unidos.

Sobre as populações humanas, a estimativa das Nações Unidas aponta que, até 2050, quase 70% das pessoas em todo o mundo viverão em cidades - acima dos atuais 55%.

Mais pessoas e mais prédios nas cidades significam mais comida e abrigo para os ratos, que há milhares de anos têm vivido bem perto dos seres humanos para aproveitar o que deixam para trás.

Uma espécie, mais do que qualquer outra, representa um grande problema: o Rattus norvegicus, conhecido como ratazana ou rato-castanho, um dos tipos mais comuns.

Temperaturas mais altas levarão a ciclos reprodutivos mais longos - ou seja, com o nascimento de mais filhotes -, o que não pode ser menosprezado no caso do roedor. De acordo com especialistas, um casal de ratos pode criar um ninho com 1.250 indivíduos em apenas 12 meses.

"Os ratos são um inimigo terrível e precisamos aceitar que é impossível erradicá-los. Matá-los não funciona, porque os que ficam para trás podem se recuperar rapidamente", explicou à BBC Steve Belmain, professor de ecologia da Universidade de Greenwich, em Londres.


Mudando a tática


"Uma ratazana fêmea já pode ter filhotes às 5 ou 6 semanas de idade, por exemplo", diz o cientista.

Belmain faz parte de um grupo de pesquisadores que tentam alterar o "discurso militar" na abordagem dos problemas criados pelos ratos.

"O problema que temos com a abordagem da guerra é que estamos simplesmente reagindo ao inimigo em vez de planejarmos proativamente antes de atacar", diz Michael Parsons, biólogo da Fordham University, em Nova York.

"Não ajuda o fato de sabermos muito mais sobre pandas gigantes do que sobre ratos-castanhos. Existe uma escandalosa falta de pesquisas sobre eles".

Para ilustrar seu desânimo, Parsons cita uma estatística surpreendente: alguns pesquisadores calcularam que os ratos causaram mais mortes do que todas as guerras combinadas nos últimos mil anos.

Estes animais foram associados, por exemplo, à peste negra, uma pandemia de peste bubônica que dizimou um terço da população da Europa no século 14. Alguns cientistas, no entanto, têm questionado se são os roedores, e não pulgas e piolhos humanos, os verdadeiros culpados pela pandemia.

"Os ratos não vão embora, porque aprenderam a viver perto de nós e a não se assustar com os humanos. Ainda assim, estamos incrivelmente no escuro no que sabemos sobre seus hábitos", critica Parsons.

A maioria das soluções usadas hoje em dia envolve matar os animais, especialmente por envenenamento. Mas isso cria riscos ambientais e também pode afetar seres humanos e outros animais.

Os cientistas também registraram casos em que ratos desenvolveram imunidade a alguns tipos de substâncias supostamente destinadas a matá-los.

Além disso, de acordo com organizações como o Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), o envenenamento é um método extremamente doloroso para matar estes animais.


Gatos não dão conta


"Os venenos são inúteis, perigosos para os humanos e extremamente cruéis, já que os animais passam dias sofrendo antes de finalmente morrerem em agonia", diz um porta-voz do Peta.

"Quando os animais morrem, o aumento resultante na disponibilidade de alimentos provoca acasalamento acelerado entre os sobreviventes e os recém-chegados - e isso significa aumento das populações".

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Algumas cidades também apostaram no uso de predadores contra infestações de ratos. Washington, por exemplo, colocou "pelotões" de gatos em plena capital americana.

Discute-se há muito tempo o papel dos ratos na disseminação da peste bubônica
Mas a pesquisa de Parson foi um grande golpe para esse tipo de iniciativa.

No período de cinco meses em que ele e sua equipe monitoraram uma colônia de ratos no Brooklyn, em Nova York, os gatos conseguiram matar apenas dois de uma população estimada de 150 ratos.

"Gatos e ratos são mais propensos a ignorar ou a evitar um ao outro do que se engajar em conflitos diretos, especialmente depois que os ratos atingem um certo tamanho", explica Gregory Glass, ecologista de doenças da Universidade da Flórida.


Contraceptivos para ratos


Em 2016, a empresa americana Sensetech anunciou ter criado um contraceptivo que poderia tornar as ratas inférteis. Nas palavras da fundadora da empresa, Loretta Mayer, a invenção "mudaria o mundo".

O produto, o ContraPest, foi testado em vários tipos de ambiente e, de acordo com a Sensetech, resultou em uma "redução adicional de 46% na atividade de ratos na comparação com o uso de um método letal sozinho".

O ContraPest foi testado em Nova York no ano passado - acredita-se que a cidade seja a casa de mais de 2 milhões de ratos. Mas alguns especialistas são mais céticos na eficácia deste produto.

"Os ratos que não morderem a isca podem na verdade acabar procriando mais, pois haverá menos competição por comida", disse Peter Banks, especialista da Universidade de Sydney, à revista New Scientist.

O que parece ser consenso é que a interrupção da disponibilidade de comida para ratos é a chave para manter as populações destes animais à distância.


Cada rato por si


"As soluções são mais básicas do que pensamos. Se as autoridades lidarem com questões como armazenamento de lixo e falta de saneamento, isso pode ter efeitos profundos", diz Steve Belmain.

Com menos comida, os ratos "se voltam para si", de acordo com Mike Parsons.

"A indústria de combate aos roedores é um negócio de bilhões de dólares. Mas ações simples como carregar o lixo consigo em vez de despejá-lo em uma lixeira pública podem ser mais eficazes."

"Com menos comida, os ratos terão que ajustar sua população. Isso implica em se reproduzir menos e lutar uns contra os outros."

Mas, para Jan Zalasiewicz, paleobiologista da Leicester University, se as coisas continuarem como estão, o futuro pode realmente pertencer a ratos.

"Os ratos são um dos melhores exemplos de espécies que ajudamos a espalhar pelo mundo e que se adaptaram com sucesso a muitos dos novos ambientes em que acabaram se encontrando", disse Zalasiewicz à BBC.

"Eles serão protagonistas do futuro geológico da Terra e podem sobreviver aos humanos."


Fonte:  BBC News Brasil


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

CCZ promove ações educativas para agentes comunitários da região de Pendotiba




Agentes comunitários de saúde do Programa Médico de Família da região de Pendotiba receberam neste mês de dezembro ações educativas promovidas pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC).

Ministrada por Delcir Vieira e Patrícia de Oliveira, as atividades desenvolveram-se por meio de bate papo interativo e exibição de slide-show, nos moldes de palestra, e tiveram o objetivo principal de instruir os profissionais para o emprego do conhecimento nas ações educativas a serem realizadas na comunidade. 

O tema Pombos Urbanos foi discutido nos módulos do PMF Abelardo Ramirez bairro Matapaca, em 11/12, e do PMF Sapê, em 17/12, com o objetivo de sensibilizar sobre a importância da adoção de medidas que evitem a oferta de alimento e o acesso a locais que possam se tornar abrigo dos pombos e favorecer a reprodução dessa ave – especialmente no ambiente domiciliar e de convívio. Teve como pauta os tópicos: biologia dos pombos, os fatores que favorecem sua presença, os cuidados para manejá-lo, quais as principais doenças causadas e como deve ser feito o controle efetivo desses animais.

Segundo relatos dos agentes do Sapê, a comunidade no entorno da unidade tem a prática de alimentar pombos e animais de rua, favorecendo a proliferação destes, além de ratos, e com as informações apresentadas será mais fácil sensibilizar os moradores quanto a esse hábito desacertado.  Já os agentes do Matapaca disseram que não sabiam da dimensão dos riscos que os pombos oferecem à Saúde Pública.


PMF Matapaca (11/12)


 PMF Sapê (17/12)


No PMF Sapê tratou-se também do assunto Pediculose (03/12), abordando os itens:  tipos de piolhos, o piolho capilar, ciclo de vida, dificuldades causadas nas crianças e jovens, prevenção e tratamento. O propósito da atividade foi de informar a respeito dos cuidados básicos para prevenir e tratar possível infestação de piolhos. 

“Além de toda a informação apresentada, como prevenção e tratamento, percebemos que muitos moradores ainda utilizam venenos para o combate aos piolhos. Essa palestra esclareceu bastante os riscos que produtos como álcool e inseticidas podem provocar, especialmente graves acidentes em crianças”, esclareceu Patrícia de Oliveira.





Visando sensibilizar sobre a importância do cuidado com a saúde familiar, nos módulos do PMF João Sampaio, bairro Maceió, em 12/12, e PMF do Matapaca, em 13/12, falou-se a respeito de higiene pessoal e ambiental, tendo como questões: conceito de higiene, higiene pessoal e ambiental, lavagem das mãos e saúde, cuidados com a água de consumo e alimentos, piolho e sarna.

As orientações reforçaram conhecimentos adquiridos e motivaram os ACS’s a trabalharem mais intensamente as práticas com alguns usuários da unidade.  No módulo do Maceió, a dentista Ana participou da palestra e contribuiu com informações valiosas sobre higiene bucal.


  PMF Maceió (12/12)



 PMF Matapaca (13/12)


Em 18/12 a equipe do IEC encerrou o ciclo de ações com o tema Arboviroses no PMF do Maceió. O objetivo foi alertar acerca dos perigos à saúde causados pelas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.  Os palestrantes discorreram sobre o histórico e conceito das arboviroses, sintomas, comportamento do mosquito transmissor (o Aedes aegypti), principais criadouros do inseto, distribuição de casos da doença no município, e métodos de controle do vetor de transmissão. 

Segundo Patrícia, com a proximidade do verão e consequente aumento de chuvas, a unidade já vem recebendo pessoas com suspeita de arboviroses. “Transmitimos algumas atualizações sobre a mutação do Aedes aegypti e reforçamos sobre as diversas maneiras de como podemos sensibilizar os moradores que ainda não mudaram seus hábitos quanto aos possíveis criadouros”, contou a palestrante.




quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Educação em Saúde fala sobre Boas Práticas na Manipulação de Alimentos na UMEI Eduardo Campos


Com o objetivo de informar a respeito dos procedimentos adequados à manipulação de alimento que beneficiam a qualidade dos produtos e a saúde do consumidor, o Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) – através do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – realizou a palestra Boas Práticas na Manipulação de Alimentos para merendeiras da Unidade Municipal de Educação Infantil Governador Eduardo Campos, bairro Maria Paula, em 10 de dezembro.

Ministrada pelos agentes Delcir Vieira e Patrícia de Oliveira, a ação educativa em saúde desenvolveu-se por meio de bate papo interativo e exibição de slide-show. Principais tópicos discutidos: conhecendo os erros na cozinha; como implantar as boas práticas; meios de contaminação; alimentos de maior risco; contaminação cruzada; sintomas das Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs); higienização; além de algumas orientações sobre tempo e temperatura dos alimentos.

“Foi muito gratificante.  Como o tema era de grande interesse, as servidoras participaram ativamente e aproveitaram para falar sobre o funcionamento cotidiano de uma cozinha de unidade escolar. Algumas já conheciam as práticas corretas de como manipular alimentos, mas segundo as mesmas, o reforço nas informações contribuíram para a atualização do conhecimento”, relatou a palestrante Patrícia de Oliveira.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Atalaia recebe mutirão contra dengue




Na manhã deste sábado (22), cerca de 30 agentes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Niterói, realizaram no Atalaia, em Santa Rosa, mutirão de combate ao mosquito Aedes aegypti, causador da dengue, zika e chikungunya. No total, 439 imóveis foram vistoriados.

Além dos imóveis, os agentes percorreram as ruas e canteiros vistoriando possíveis focos do mosquito e orientaram a população com distribuição de material informativo. A equipe também realizou desratização, quando necessário.

De acordo o chefe do CCZ de Niterói, Francisco de Faria Neto, o combate ao vetor no ambiente domiciliar e nos logradouros públicos é de vital importância para um bom resultado.

“A melhor forma de prevenir essas doenças é a eliminação do vetor, para isso é preciso combater os criadouros do Aedes aegypti, que coloca seus ovos em recipientes com água parada, como garrafas, sacos plásticos e pneus velhos que ficam expostos à chuva”, sinaliza Francisco.

O eletricista, Adenilson Santos, de 60 anos, disse que iniciativas como esta são muito importantes para o combate ao mosquito e contou que ajuda na prevenção de foco do Aedes.

“Eu tento fazer a minha parte e a comunidade tem que fazer o mesmo. Acho importante esse trabalho para prevenir essas doenças e é fundamental ter ações como essa para orientar as pessoas e esclarecer alguma dúvida", disse.

Ação diária – Além dos mutirões, as equipes do CCZ realizam trabalho intenso de rotina de prevenção e combate ao mosquito em Niterói. Agentes vistoriam diariamente imóveis em todas as regiões do município, combatendo focos do inseto e orientando a população. Profissionais do Programa Médico de Família também atuam em parceria com o CCZ nas suas áreas de cobertura. Niterói também possui Comitês Regionais de Combate à Dengue, organizados pelas Policlínicas Regionais, com ações elaboradas de acordo com as características de cada comunidade.


Fonte:  Prefeitura de Niterói


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Prefeitura de Niterói intensifica ações de combate ao mosquito Aedes aegypti

 
A Prefeitura de Niterói vai intensificar, a partir desta semana, quando começa o verão, período de maior incidência de doenças causadas pelo Aedes aegypti, as ações de combate ao mosquito no município. O prefeito em exercício, Paulo Bagueira, e a secretária municipal de Saúde, Maria Célia Vasconcellos, se reuniram para finalizar as estratégias de intensificação das ações que já são realizadas de forma rotineira na cidade. Além do trabalho realizado durante todo o ano, o carro fumacê já começou a circular por Niterói e, nos próximos dias, os mutirões de combate ao mosquito terão início nos bairros.

O verão começa nesta sexta-feira (21), período com maior incidência do mosquito e de doenças transmitidas pelo inseto, como dengue, zika e chikungunya. Por isso, nos próximos dias, a Fundação Municipal de Saúde dá início aos mutirões de final de semana e ações em parceria com as administrações regionais, secretarias de Conservação e Serviços Públicos, Saúde, Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (CLIN), além de associações de moradores, escolas e unidades de saúde.

“A Prefeitura de Niterói não vai medir esforços para prevenir a proliferação do Aedes aegypti. A população tem papel fundamental nesse cenário e precisa fazer sua parte no combate ao mosquito. É muito importante que todos ajudem na eliminação dos criadouros do Aedes, que coloca seus ovos em recipientes com água parada, como pneus velhos expostos à chuva e garrafas vazias”, ressaltou o prefeito em exercício.

Além dos mutirões, as equipes do CCZ realizam, durante todo o ano, um trabalho intenso de prevenção e combate ao mosquito em Niterói. Agentes vistoriam diariamente imóveis em todas as regiões do município, combatendo focos do inseto e orientando a população. Profissionais do Programa Médico de Família também atuam em parceria com o CCZ nas suas áreas de cobertura. Niterói também possui Comitês Regionais de Combate à Dengue, organizados pelas Policlínicas Regionais, com ações elaboradas de acordo com as características de cada comunidade.

A secretária municipal de Saúde, Maria Célia Vasconcellos, fala sobre o trabalho de prevenção e a importância das ações intersetoriais. “O trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti é intenso e de rotina, realizado durante o ano todo e não apenas no período mais crítico. No verão, intensificamos as ações e trabalhamos em parceria com outras secretarias, o que permite um resultado mais positivo”, destaca.


Fonte:  Prefeitura de Niterói

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Educação em Saúde fala sobre arboviroses no Centro Educacional Alzira Bittencourt




Tendo o objetivo de alertar os alunos acerca dos perigos à saúde causados pelas arboviroses (dengue, zika, chikungunya e febre amarela), estimulando atitudes preventivas e a multiplicação das informações na família, a equipe do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – do Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) – realizou palestras no Centro Educacional Alzira Bittencourt, em Icaraí, na última semana (dias 10 e 11/12).

A atividade foi realizada pelas agentes Daniele Caviare e Leila Neves, que utilizaram a metodologia do bate papo interativo com apresentação de slide-show e vídeo.  O conteúdo programático contemplou os seguintes temas: arboviroses (dengue, zika e chikungunya) e seus sintomas, a importância da vacinação contra a febre amarela, a desmistificação da questão equivocada da relação dos macacos com a transmissão direta da febre amarela em humanos, características do mosquito transmissor (o Aedes aegypti), principais medidas de prevenção e combate aos possíveis criadouros do vetor.

Segundo a equipe, as crianças participaram de modo efetivo.  “Os alunos foram maravilhosos e demostraram muito interesse pelo tema”, destacou Leila Neves.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Pesquisa mostra impactos sociais do vírus zika


Tão vulneráveis quanto as crianças nascidas com microcefalia em decorrência da zika nos últimos três anos, no Brasil, são suas mães e outras mulheres envolvidas em seus cuidados diários. Numa rotina sistemática de consultas médicas, atividades de estímulo e de recuperação de suas crianças, elas tiveram que largar o trabalho - o que impacta na renda da família -, abandonar projetos pessoais e enfrentar as dificuldades de um sistema de saúde despreparado para atender seus filhos. Esses dados são parte dos resultados da pesquisa Impactos Sociais e Econômicos da Infecção pelo Vírus Zika, que foram apresentados na última sexta-feira (30/11), no auditório da Fiocruz Pernambuco. Desenvolvido em conjunto pela Fiocruz Pernambuco, Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e London School of Hygiene and Tropical Medicine, o estudo mostra que avós, tias e irmãs adolescentes também são figuras importantes na rotina de atendimentos terapêuticos e nas atividades domésticas.

Os pais, quando presentes na vida cotidiana dessas crianças, são responsáveis por manter o sustento da família e ajudar em atividades domésticas que visam tornar mais leves os cuidados centrados nas mães. Com dados coletados de maio de 2017 a janeiro de 2018, nas cidades do Recife, Jaboatão dos Guararapes (PE) e Rio de Janeiro, a pesquisa, além de descrever o impacto da Síndrome Congênita da Zika (SCZ) nas famílias, estimou o custo da assistência à saúde das crianças com SCZ para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para suas famílias – 50% tinham renda entre um e três salários mínimos - e identificou os impactos nas ações e serviços de saúde e na saúde reprodutiva.

Em relação às despesas, verificou-se que o custo médio com consultas em um ano foi 657% maior entre as crianças com microcefalia ou com atraso de desenvolvimento grave causado pela síndrome (grupo 1) do que com crianças sem nenhum comprometimento (grupo 3 – controle). A quantidade de consultas médicas e com outros profissionais de saúde foram superiores em 422% e 1.212%, respectivamente. Já os gastos das famílias com medicamentos, hospitalizações e óculos, entre outras coisas, ficaram entre 30% e 230% mais elevados quando comparados com as crianças sem microcefalia, mas com manifestações da SCZ e com atraso de desenvolvimento (grupo 2) e com as do grupo 3, respectivamente.

Entre as dificuldades do dia a dia, essas famílias também esbarraram numa assistência de saúde insuficiente e fragmentada, com problemas no cuidado, ausência de comunicação entre os diversos serviços especializados, assim como entre níveis de complexidade. Para os profissionais de saúde, a epidemia deu visibilidade às dificuldades de acesso de outras crianças com problemas semelhantes, determinados por outras patologias/síndromes congênitas. Revelou, ainda, que as ações governamentais continuam centradas no mosquito transmissor e na prevenção individual, sem atuação sobre os determinantes sociais.

Nas entrevistas, a maioria das mulheres em idade reprodutiva expressou sentimento de pânico em referência à gravidez durante a epidemia de zika. Elas temiam, principalmente, o impacto sobre a criança, embora não compreendessem totalmente o termo Síndrome Congênita da Zika. Por isso, utilizavam frequentemente o termo microcefalia. Incertezas sobre como elas ou os bebês podiam ser infectados foram comuns. Assim como preocupações e expressões de sofrimento em relação à deficiência e ao impacto disso sobre suas vidas.

Outro medo delas era uma gravidez não planejada, pois estavam insatisfeitas com a oferta de métodos contraceptivos disponíveis nos serviços de saúde. A maioria usava contraceptivos hormonais injetáveis no momento das entrevistas e relataram falta de informação e falhas nos métodos utilizados. O DIU não apareceu como opção e os homens mostraram-se ausentes do planejamento reprodutivo. Quase todos os entrevistados desconheciam a possibilidade de transmissão sexual do vírus zika e alguns ouviram informações sobre isso na televisão, mas não deram importância porque não era um assunto recorrente na mídia.

Também foram registradas incertezas sobre as possibilidades de transmissão e poucos receberam informações de profissionais de saúde. “Diante da falta de informações e de acesso aos métodos contraceptivos a gente questiona como a mulher vai exercer sua autonomia reprodutiva, escolher se ou quando engravidar”, afirma a pesquisadora da Fiocruz Pernambuco Camila Pimentel, que participou do estudo. “Os epidemiologistas já alertaram que uma nova epidemia de zika pode ocorrer. Ainda assim, outras questões ligadas à zika continuam sem serem trabalhadas, como a questão dos direitos reprodutivos, do apoio psicológico e da geração de renda para as mães desses bebês”, analisa Camila.

Para a realização da pesquisa foram entrevistadas mães e outros cuidadores de crianças com SCZ, mulheres grávidas, homens e mulheres em idade fértil e profissionais de saúde, totalizando 487 pessoas.


Fonte:  Fiocruz


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

CCZ e PMF Colônia realizam ação educativa sobre arboviroses na UMEI Odete Rosa




Na última semana, período de 27 a 29/11, a equipe do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC) – do Centro de Controle de Zoonoses de Niterói (CCZ) –, em parceria com o Médico de Família Colônia dos Pescadores, realizou ação educativa sobre arboviroses (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) para alunos da Unidade Municipal de Educação Infantil Odete Rosa, em Itaipu.  A iniciativa faz parte do Programa Saúde na Escola (PSE), dos ministérios da Saúde e Educação.

A atividade consistiu em contação de história e distribuição de revistinha educativa.  O objetivo foi fazer com que os pequenos estudantes se envolvessem na temática de maneira divertida e prazerosa, estimulando atitudes preventivas em relação ao mosquito Aedes aegypti e a multiplicação das informações na família. 

A metodologia lúdica desenvolvida pelos agentes Élcio Nascimento e Rita de Cássia Costa, e com a participação da enfermeira Maria José, chamou a atenção das crianças para os cuidados que devemos ter com o ambiente de convívio.  

Os pequenos demonstraram interesse e interagiram bem. “As crianças adoraram, participaram da história e depois falaram de suas realidades ‘meu avô tirou tudo que tem água no quintal’, se envolvendo na temática de fato”, destacou Élcio.







terça-feira, 27 de novembro de 2018

Identificado fármaco que elimina vírus da febre amarela e chikungunya


Estudo revela que fármaco já usado contra hepatite serve também para o tratamento das doenças

Mesmo fármaco utilizado no tratamento da hepatite C crônica é capaz de eliminar
os vírus da chikungunya e da febre amarela – Foto: Fernanda Carvalho / Fotos Públicas


Estudo realizado no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP mostrou que o fármaco sofosbuvir, utilizado no tratamento da hepatite C crônica, é capaz de eliminar também os vírus da chikungunya e da febre amarela.

“Células humanas infectadas pelo vírus da chikungunya foram tratadas com sofosbuvir e o fármaco eliminou o vírus sem danificar as células. A droga se mostrou 11 vezes mais efetiva contra o vírus do que contra as células”, disse uma das autoras do estudo, Rafaela Milan Bonotto.

O estudo relativo à chikungunya foi realizado no âmbito do doutorado de Bonotto com Bolsa da FAPESP, com orientação do professor Lucio Freitas-Junior.

Artigo a respeito, assinado por Bonotto, Freitas-Junior e colaboradores, está disponível na plataforma aberta F1000Research. O artigo sobre a pesquisa relativa à febre amarela deverá ser publicado brevemente.

A descoberta tem enorme importância para a saúde pública, pois uma epidemia de chikungunya está prevista para os próximos dois anos no Brasil (leia em agencia.fapesp.br/27975).

“O processo para obtenção de um fármaco é extremamente demorado e caro. O tempo entre o início da pesquisa e a disponibilização do produto no mercado é, em média, de 12 anos. O custo é da ordem de US$ 1,5 bilhão ou mais. O sofosbuvir é uma droga que passou por todo o processo de aprovação para uso humano. Isso possibilita que ela possa vir a ser utilizada contra a chikungunya em um a três anos. O custo, estimado em cerca de US$ 500 mil, seria muito menor”, disse Freitas-Junior.

O pesquisador lembra que a chikungunya é uma doença grave não apenas pelo episódio agudo em si – que apresenta um quadro semelhante ao da dengue –, mas por poder deixar como sequela dores articulares altamente debilitantes, que se estendem por meses ou anos, e podem eventualmente incapacitar a pessoa a exercer sua atividade profissional e até mesmo a sair da cama.


Sofosbuvir já é utilizado no tratamento da hepatite C e passou por todos os testes
para uso humano. Isso possibilita que venha a ser mais facilmente empregado
em eventual epidemia de chikungunya prevista para os próximos dois anos
(a imagem mostra hematócitos humanos obtidos do fígado.
À esquerda, infectados pelo chikungunya. À direita, desinfectados
por ação do sofosbuvir, cuja fórmula molecular está no meio da figura
– Imagem: Divulgação via Agência Fapesp


“Não há vacina desenvolvida e as ferramentas para diagnóstico ainda precisam ser otimizadas. O sofosbuvir é algo concreto que pode se tornar uma ferramenta poderosa para lutar contra esse vírus. Os resultados de nossa pesquisa possibilitam que as instituições eventualmente interessadas deem início aos ensaios clínicos”, disse Freitas-Junior.

“Ainda não sabemos com precisão como a droga atua em termos moleculares. O que constamos foi o resultado macroscópico: a eliminação do vírus e a preservação das células. No tratamento da hepatite C, o sofosbuvir se mostrou efetivo por inibir a proteína que sintetiza o genoma viral. Pode ser que ocorra o mesmo no caso da chikungunya, mas o mecanismo de ação ainda precisa ser elucidado”, afirmou Bonotto.

O estudo foi conduzido na Phenotypic Screening Platform (PSP), uma nova iniciativa do Departamento de Microbiologia do ICBP. A PSP desenvolve ensaios de triagem fenotípica, utilizados com sucesso na descoberta de fármacos com novos mecanismos de ação.

A plataforma tem um portfólio com mais de 15 tipos diferentes de ensaios fenotípicos, conduzidos nos padrões preconizados pela indústria farmacêutica. Os ensaios têm sido empregados na estratégia de reposicionamento de fármacos para doenças infecciosas.

Além de Bonotto e de Freitas-Junior, participaram do estudo: Glaucia Souza-Almeida, Soraya Jabur Badra, Luiz Tadeu Figueiredo e Carolina Borsoi Moraes.

O artigo Evaluation of broad-spectrum antiviral compounds against chikungunya infection using a phenotypic screening strategy pode ser lido em https://f1000research.com/articles/7-1730/v1





segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Semana Nacional de Combate ao Aedes começou neste domingo (25/11)



De  25 a 30 de novembro, municípios de todo o país vão realizar diversas ações de Combate ao Aedes, como visitas domiciliares, mutirões de limpeza e distribuição de materiais informativos


Neste domingo (25/11) começou a Semana Nacional de Combate ao Aedes nos estados e municípios.  A partir desta data até o dia 30 a população de todo o país está convocada para unir esforços no enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti, transmissor das doenças dengue, zika e chikungunya. No total, 210 mil unidades públicas e privadas de todo o país estão sendo mobilizadas, sendo 146 mil escolas da rede básica, 11 mil Centros de Assistência Social e 53 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS).  A semana fecha com o dia D (30/11) de combate ao Aedes, com a realização de mutirões de limpeza em todos os espaços, incluindo os órgãos públicos.

A Sala Nacional de Coordenação e Controle (SNCC) do Ministério da Saúde orientou estados e municípios a realizarem atividades para instruir as comunidades sobre a importância da prevenção e combate ao mosquito. Entre as atividades planejadas para a semana estão visitas domiciliares, distribuição de materiais informativos e educativos, murais, rodas de conversa com a comunidade, oficinas, teatros e gincanas.

A mobilização pretende mostrar que a união de todos, governo e população, é a melhor forma de derrotar o mosquito, principalmente nos meses de novembro a maio, considerados o período epidêmico para as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Neste período, o calor e as chuvas são condições ideais para a sua proliferação.

“O verão é o período que requer maior atenção e intensificação dos esforços para não deixar o mosquito nascer. No caso da população, além dos cuidados, como não deixar água parada nos vasos de plantas, é possível verificar melhor as residências, apoiando o trabalho dos agentes de endemias. Esses profissionais utilizam técnicas simples e diferenciadas para vistoriar as casas, apartamentos e espaços abertos”, explica o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Divino Martins.

Dados nacionais apontam redução nas três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, entre janeiro a novembro de 2018, em comparação com o mesmo período de 2017, porém, alguns estados apresentam aumento expressivo de casos de dengue, Zika ou chikungunya. Por isso, é necessário intensificar agora as ações de eliminação do foco do mosquito para evitar surtos e epidemias das três doenças no verão.


CAMPANHA

Desde o dia 13 de novembro, circula em todo o país a nova campanha publicitária de combate ao mosquito Aedes aegypti, que tem como objetivo mobilizar toda a população sobre a importância de intensificar, neste período que antecede o verão, as ações de prevenção contra o mosquito. Com o slogan "O perigo é para todos. O combate também. Faça sua parte. Com ações simples podemos combater o mosquito", a campanha ressalta que a união de todos, governo e população, é a melhor forma de derrotar o mosquito, e que a vigilância deve ser constante.

Juntamente com a campanha, o Ministério da Saúde tem divulgado em suas redes sociais informações de orientação e vídeos tutoriais no Youtube que orientam a população a realizar as vistorias em casas, prédios e espaços abertos. São técnicas simples que a população pode fazer.


DADOS EPIDEMIOLÓGICOS

DENGUE – Até 3 de novembro, foram notificados 223.914 casos de dengue em todo o país, uma pequena redução em relação ao mesmo período de 2017 (224.773). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 107,4 casos/100 mil habitantes. Em comparação ao número de óbitos, a queda é de 23,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 172 mortes em 2017 para 132 neste ano. No total, 12 estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017. 

CHIKUNGUNYA – Até 3 de novembro, foram registrados 81.597 casos de febre chikungunya, o que representa uma taxa de incidência de 39,1 casos/100 mil habitantes. A redução é de 55,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 182.920 casos. A taxa de incidência no mesmo período de 2017 foi de 87,7 casos/100 mil/hab. Neste ano, foram confirmados laboratorialmente 35 óbitos. No mesmo período do ano passado, foram 189 mortes confirmadas. No total, sete estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017. 

ZIKA – Até 3 de novembro, foram registrados 7.544 casos prováveis de zika em todo país, uma redução de 54,6% em relação a 2017 (16.616). A taxa de incidência passou de 8,0 em 2017 para 3,6 neste ano. No total, sete estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017. Entre eles, destaca-se o Rio Grande do Norte, com 14,9 casos/100 mil habitantes. 


Fonte:  Ministério da Saúde


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

CCZ realiza workshop de atualização e qualificação em entomologia




Na semana de 05 a 09 de novembro, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) – através do seu Laboratório de Zoonoses (LABZO) – realizou o workshop ‘Atualização e Qualificação em Entomologia para Servidores do CCZ de Niterói’ no auditório da Defesa Civil do município, no Centro.

Ministrada agente de endemias e biólogo Devylson da Costa Campos, do LABZO, a atividade teve como objetivo, além de mostrar a importância do trabalho dos agentes de combate às endemias e agentes de controle de zoonoses, servir de importante ferramenta para aguçar a qualidade do servidor.

“É a quarta parte do Projeto de Atualização e Qualificação em Entomologia para Servidores do CCZ de Niterói, que começou em outubro com palestra para gestores, servidores, profissionais de análise do laboratório de entomologia e malacologia e equipes do setor de Informação, Educação e Comunicação em Saúde (IEC), e agora chega aos agentes de campo do Serviço de Controle de Vetores (SECOV) que trabalham coletando material biológico (larvas e pupas) para identificação e confecção do LIRAa [Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti]”, explica Devylson.

Cerca de 150 agentes participaram do evento, que teve também como propósito melhorar o diálogo entre os diversos setores internos e a qualidade de todos os servidores envolvidos, a fim de elevar o mais próximo possível da realidade os números do LIRAa e a qualidade do serviço fim.

O encontro apresentou conceitos fundamentais para a identificação de espécies de insetos – em especial o Aedes aegypti –, informações sobre seu comportamento, ciclo de vida e as doenças transmitidas por ela, e focou na padronização da coleta, confecção das fichas e envio desse material ao laboratório.

“Acredito que quanto mais os setores envolvidos souberem o que o outro setor faz e como seu trabalho influência o dos outros colegas servidores e o quanto são importantes nessa engrenagem, o serviço público nesta área da saúde só tende a melhorar”, avaliou o palestrante.

Para o coordenador operacional responsável pela região oceânica Reinaldo Mendonça, a iniciativa foi gratificante e reconheceu o trabalho dos servidores de campo. "Ele destacou que, apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas no dia a dia, a qualidade das ações supera os problemas encontrados".

Na opinião do agente Marcos Antônio Soares Alvarenga, que atua no bairro de Itacoatiara, o encontro teve boas intenções: “Foi importante porque trouxe motivação de querer trabalhar bem para se ter um retorno positivo à sociedade.  Se ele [Devylson] conseguir tocar o projeto será de grande valia para a Saúde Pública no que se refere a endemias em nosso município”, ponderou.