sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Niterói leva o Método Wolbachia para a 78ª Reunião Anual da SBPC, o maior evento científico da América Latina

 


De 26 de julho a 1º de agosto de 2026, a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, se transformou no epicentro da ciência brasileira. O Campus Gragoatá recebeu a 78ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a 33ª SBPC Jovem, reunindo pesquisadores, estudantes, educadores e o público em geral em torno do tema "Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão".

Durante a semana, a programação combinou palestras, mesas-redondas, exposições, oficinas e atividades interativas com uma agenda cultural plural, dando espaço à diversidade de saberes que constrói a ciência no país. A SBPC Jovem teve papel de destaque, aproximando estudantes e jovens pesquisadores de experiências que despertam vocações científicas — e foi justamente nesse ambiente de troca e descoberta que Niterói apresentou um de seus maiores orgulhos na área da saúde pública.

O Centro de Controle de Zoonoses em cena

A Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), montou estande na tenda do SBPC Jovem durante toda a semana do evento. Ali, a equipe técnica do CCZ teve a oportunidade de dialogar diretamente com um público extremamente diverso: crianças, estudantes de graduação e pós-graduação, professores, pesquisadores de outras cidades e países, e moradores curiosos sobre o trabalho realizado no município.

Esse contato direto foi um dos pontos mais valiosos da participação de Niterói no evento. Explicar o Método Wolbachia para diferentes públicos — de estudantes do ensino básico a especialistas em saúde pública — exige linguagem acessível sem perder o rigor científico, e essa foi exatamente a missão da equipe do CCZ ao longo dos sete dias de programação. Cada conversa no estande se tornou uma oportunidade de desmistificar a ciência por trás da estratégia, tirar dúvidas da população e mostrar, na prática, como pesquisa e política pública podem caminhar juntas.

Além do estande, o Método Wolbachia também ganhou destaque em uma palestra dedicada ao tema dentro da programação oficial da SBPC, reforçando a relevância nacional da iniciativa conduzida em Niterói. A palestra foi ministrada pelo pesquisador Luciano Moreira, da Fiocruz, que lidera a técnica que usa a bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão da dengue e foi reconhecido pela revista Nature — considerada a mais influente do mundo na área científica — como uma das dez pessoas que moldaram a ciência em 2025.

O que é o Método Wolbachia

Desenvolvido pelo World Mosquito Program (WMP) e conduzido no Brasil pela Fiocruz, o Método Wolbachia é uma estratégia científica que utiliza a bactéria Wolbachia para impedir que o mosquito Aedes aegypti transmita arboviroses como dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana. Mosquitos portadores da bactéria têm sua capacidade de transmitir esses vírus significativamente reduzida, o que diminui a circulação das doenças na população ao longo do tempo.

Niterói, pioneira e referência nacional

Niterói foi a primeira cidade do Brasil a adotar o método, iniciando a liberação dos mosquitos com Wolbachia em 2015, no bairro de Jurujuba. Dez anos depois, o município é a primeira cidade brasileira com 100% do território coberto pela tecnologia — um marco que consolidou Niterói como referência internacional no combate às arboviroses, servindo de modelo para outras cidades e países que buscam implementar a estratégia.

Levar essa trajetória para dentro da SBPC, o maior evento científico da América Latina, foi mais do que uma apresentação institucional: foi a oportunidade de mostrar que ciência de ponta, quando aplicada com consistência e compromisso público, transforma a saúde de uma cidade inteira.

A participação do Centro de Controle de Zoonoses na 78ª Reunião Anual da SBPC reforça um recado importante: a inovação em saúde pública não acontece isolada nos laboratórios — ela se fortalece no diálogo com a população, com estudantes e com a comunidade científica. E foi exatamente esse encontro entre ciência, cidade e sociedade que marcou a semana de Niterói na UFF.


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